Updates from Dezembro, 2011 Toggle Comment Threads | Atalhos de teclado

  • pedrolopesalmeida 16:30 on 30/12/2011 Permalink | Responder  

    never say no to panda. 

     
  • pedrolopesalmeida 16:27 on 30/12/2011 Permalink | Responder  

    naked chess. 

     

    Julian Wasser, Passadena Art Museum, 1963

    [na foto: Marcel Duchamp e Eve Babitz, mais sobre esta imagem aqui]

    *

    Naked Chess, performance pela artista Jennifer Shahade, com Jason Bretz, baseada na fotografia de Duchamp. Algumas considerações bastante interessantes sobre o jogo, aqui (como a segurança que dá ter a certeza de que o adversário não tem no bolso nenhum aparelho electrónico para calcular jogadas. Falta referir as assinaláveis semelhanças, incidentais, com o pensador de Rodin, como fica claro nos stills abaixo):

    *

    Jennifer Shahade give a naked chess exhibition

    fotografia de Nadja Voorham e Bas Beekhuizen. Performance de Jennifer Shahade durante o Euwe Memorial Tournament 2011, em Amsterdão, no De Kring, célebre pelos artistas e xadrezistas que o frequentaram. Dezembro de 2011.

    Mais, aqui, e aqui.

    P.S.: e, para acabar, aqui fica um ensaio em forma de fotomontagem sobre um jogo impossível:

    “Marcel Duchamp and Mariah Carey play chess”, pelo colectivo Wreck and Salvage, aqui.

     
  • pedrolopesalmeida 15:27 on 30/12/2011 Permalink | Responder  

    ler os outros. 

    A gestão de coisas, o regresso ao passado

    Artigo de opinião de António Caldeira, membro do Grupo de Trabalho do PAN sobre Justiça Social, publicado a 23 de Dezembro aqui, no site do PAN.

    Até há pouco tempo, o Ocidente orgulhava-se de ser um espaço de liberdade, de defesa dos direitos humanos e de direito ao trabalho com dignidade, com regras mínimas de salvaguarda dos trabalhadores dependentes. No caso português, em resultado da revolução do 25 de Abril, constituiu-se um edifício jurídico de direito do trabalho com muitas garantias de defesa dos trabalhadores assalariados.

    Com a abertura do mercado ao exterior e efeitos da concorrência decorrente da globalização, este foi merecendo, por parte do patronato, duras críticas por limitações à flexibilidade laboral e à capacidade de pressão sobre trabalhadores menos produtivos.

    Assistiu-se, por isso, e não só, ao longo dos últimos anos, a uma progressiva perda de direitos, que culmina agora, à boleia da crise económica, no aumento do horário de trabalho e na redução abrupta das indemnizações por despedimento sem justa causa. A história do Direito do Trabalho não foi feita apenas de confrontos entre patronato e assalariados. Foi também feita de muitas experiências na organização do trabalho e muitas e variadas investigações em motivação e comportamento psicossocial. Ficou demonstrado que o tratamento desumanizado e mecanicista do ser humano leva, a prazo, a efeitos nefastos de variada ordem: na saúde, nos acidentes de trabalho, na conflitualidade, nas faltas, na qualidade, na criatividade e em muitos outros aspectos por vezes menos claros como suicídios, consumo de álcool e outras drogas, abuso de psicofármacos, desestruturação familiar, etc. Pelo contrário, a segurança psicológica, a humanização e a melhoria das condições de trabalho demonstrou a existência de um retorno positivo dos investimentos nessa área, levando a que os trabalhadores passassem a ser encarados como recursos passíveis de serem potenciados, através da gestão de variáveis psicossociais, com forte impacte na produtividade e na qualidade, muito para lá da gestão simplista e legalista dos ritmos e tempos de trabalho e das remunerações próprios dos primórdios do século XX.

    […]

    Estamos assim perante um retrocesso civilizacional, deitando-se às urtigas anos de experiência e investigação. Os trabalhadores assalariados passarão novamente a ser encarados como peças orgânicas de máquina, controlados com a ameaça subliminar do desemprego e, com mais ou menos dinheiro, descartáveis a qualquer momento. Simples coisas.

    Já Agostinho da Silva afirmava que só há desempregados quando há emprego. Se não há emprego, não se podem chamar desempregados àqueles que não encontram ocupação, no sentido em que a sociedade humana, à medida que aumenta a capacidade de produção, tende naturalmente a ter menos necessidade do factor trabalho, o que, como consequência, deveria conduzir à possibilidade de aumento do tempo livre para todos. Tal requereria outra forma de organização social e económica que possibilitasse a todas as pessoas participarem no esforço produtivo, tendo emprego, e a criação de outras formas criativas de ocupação dos tempo livres. Ora o aumento da capacidade produtiva tem servido a acumulação selvagem de capital, atirando milhões de pessoas para o dito “desemprego” porque o sistema não necessita delas, em vez de se traduzir em menores horários de trabalho para todos. Vivemos ainda num sistema de produção e acumulação para alguns, quando devíamos passar para um sistema de produção sustentada e distribuição com equidade para todos. Somos peças de uma grande máquina devoradora dos recursos do planeta que só consegue dar emprego a todos na medida em que aumente a sua capacidade destrutiva e poluidora.

    A actual decisão governamental vai ao arrepio do sentido do avanço civilizacional, terá consequências altamente nefastas para quem está empregado e, naturalmente, levará ainda a mais escassez de emprego. Ao contrário do que o governo pensa, os danos que causará não serão recuperados por aumento da actividade económica. A estratégia que lhe dá suporte é errada, primária e altamente nefasta por esgotar energia motivacional.

    Há princípios e valores que não são negociáveis. A dignidade humana não tem preço nem deveria estar ao sabor de interesses parciais.

     
  • pedrolopesalmeida 22:37 on 26/12/2011 Permalink | Responder  

    explicação da literatura. 

    Da exploração da classe operária, das massas trabalhadoras, dos povos subjugados – exploração imposta pela violência do aparelho do Estado, pela repressão, o terror e a guerra – resultam os sentimentos e o comportamento moral da burguesia: individualismo e egoísmo ferozes, indiferença pela sorte dos seres humanos, rapacidade, venalidade, completa falta de escrúpulos, redução a simples mercadorias dos valores culturais e espirituais. Com o aprofundamento da crise geral do capitalismo, a burguesia tende a abandonar quaisquer regras éticas e a tornar-se cada vez mais amoral. Sem preocupações morais, legitima ela própria tudo quanto lhe permite manter e intensificar a exploração dos trabalhadores e dos povos.

    «A superioridade moral dos comunistas», Álvaro Cunhal, artigo publicado na revista Problemas da Paz e do Socialismo, n.º 1, Janeiro de 1974 (editado em opúsculo pela Editorial «Avante!» em Outubro do mesmo ano).

     
  • pedrolopesalmeida 22:13 on 26/12/2011 Permalink | Responder  

    o original é sempre melhor. 

    ARTIGO 2.º

    (Estado democrático e transição para o socialismo)

    A República Portuguesa é um Estado democrático, baseado na soberania popular, no respeito e na garantia dos direitos e liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização política democrática, que tem por objectivo assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras.

    Constituição da República Portuguesa, aprovada a 2 de Abril de 1976.

     
  • pedrolopesalmeida 18:32 on 23/12/2011 Permalink | Responder  

    Afinal as tais “gorduras” somos nós. 

    Nós, as “gorduras”, por Manuel António Pina

    Publicado em 2011-12-20, aqui, no DN.

    Primeiro foram os jovens desempregados a receber do secretário de Estado da Juventude guia de marcha para fora de Portugal; agora coube a vez aos professores, pela voz do próprio primeiro-ministro.

    No caso dos professores, a coisa passa-se assim: o ministro Crato varre-os das escolas; depois, Passos Coelho aponta-lhes a porta de saída do país: emigrem, porque Angola e Brasil “têm uma grande necessidade (…) de mão-de-obra qualificada”. Portugal (que é um dos países da Europa com mais baixos níveis de escolarização, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, divulgado no mês passado pelo PNUD) não tem, como se sabe, necessidade de mão-de-obra qualificada.

    E, como muito menos tem necessidade de mão-de-obra “desqualificada”, ninguém se surpreenda se um dia destes vir o secretário de Estado do Emprego e o novo presidente do Instituto do Emprego e Formação (?) Profissional a mandar embora quem tiver como habilitações só o ensino básico; o ministro da Segurança Social a pôr na rua pensionistas e idosos (para que precisa Portugal de pensionistas e idosos, que apenas dão despesa?); o ministro da Saúde a dizer aos doentes que vão morrer longe, em países sem listas de espera e com taxas moderadoras em conta; o da Defesa a aconselhar os militares a desertar e ir para sítios onde haja guerras; e por aí adiante…

    Percebe-se finalmente o que são as tais “gorduras do Estado”: são os portugueses.

    P.S.: Aproveito para desejar, daqui, um Feliz Natal a todas as gordurinhas que por cá passarem.

     
  • pedrolopesalmeida 20:53 on 19/12/2011 Permalink | Responder  

    escrito na pedra. 

    Seja qual for a ideia que se exprime no espaço público, é a mentira da miséria que redige o texto. Todos os discursos estão submetidos à lei que consiste em retroverter para o jargão da miséria o luxo chegado ao poder.

     

    Peter Sloterdijk, Écumes, Maren Sell éditeurs, Paris, 2005, p. 5.

     

     

     
  • pedrolopesalmeida 20:48 on 19/12/2011 Permalink | Responder  

    não, eu não quero acreditar 

    que ele está, de facto, a repetir as palavras dela, a partir de 0:53 e de 1:05.

    Não temos um PR “tão bom quanto possível”. Nem sequer temos o Presidente possível. Temos na presidência um político neo-liberal que levou mais longe do que nunca um capitalismo selvático e totalmente desregulado, que impôs as bases de uma cultura da destruição do Estado como forma de angariação de protagonismo político, que fomentou cisões internas, que instaurou ódios mútuos entre aqueles que mais prejudicou, que deu as machadadas finais no sistema produtivo nacional, que negociou os subsídios para suspender a exploração agrícola e para abater a frota pesqueira, que acabou com a Universidade Pública nos termos constitucionais, e, ainda por cima, acusa agora estes preocupantes sintomas de senilidade. Temos um presidente da república bem abaixo das nossas possibilidades. O que é que nos falta agora?

     
  • pedrolopesalmeida 20:32 on 19/12/2011 Permalink | Responder  

    virtualidades (demasiado) reais. 

    Designers portugueses criam nova visão para o futuro dos protestos populares

    07 de December de 2011

    Os designers portugueses Tiago Barros e Ana Cravinho estão a apresentar o projecto Digital Revolution, que promete, tal como o próprio nome indica, revolucionar a forma como as pessoas vão protestar, ordeiramente, no futuro.

    O projecto procura “uma nova visão para o futuro dos protestos em todo o mundo”, reconhecendo que estas acções são “essenciais e um método altamente importante para as pessoas demonstrarem as suas opiniões”.

    Tendo como base a utilização da internet, o Digital Revolution reconhece as limitações dos protestos populares, ao nível do número de pessoas, condições ou perigo de a situação ficar fora de controlo.

    Assim, o projecto propõe uma mudança de paradigma para estas acções, possível através de um interface visual para todos os que queiram juntar-se a uma causa específica, qualquer que seja a sua localização física. Um holograma em 3D de cada participante poderá ser projectado numa praça específica, num número infinito. Ou seja, toda a população mundial poderá reunir-se para uma causa através de uma simples ligação online. Todos podem estar na Praça Tahrir, no Cairo, Egipto, ou no Occupy Wall Street.

    “Num mundo dominado pelo individualismo contagiante, onde o digital e as redes sociais são considerados o quinto poder, e onde as demonstrações públicas são inseguras e restritas, é tempo de agir. O Digital Revolution é uma ferramenta poderosa, capaz de unir um jovem indiano a um idoso do Alaska”, explicaram os designers ao Green Savers.

    Neste contexto, os protestantes podem estar em casa, em segurança, e monitorizar as estatísticas em tempo real, notícias e outros dados. E podem estar, simultaneamente, a elaborar manifestos, escrever em blogs, enviar email ou partilhar histórias com toda a população mundial.

    […]

    aqui.

    Príncipe saudita investe 300 milhões de dólares no Twitter

    19.12.2011 – 13:13 Por Alexandre Martins

    É usado regularmente por mais de 100 milhões de pessoas, teve um papel importante nas revoluções na Tunísia e no Egipto, juntamente com o Facebook, mas ainda está longe de ganhar dinheiro a sério. Apesar de tudo, não faltam investidores: o príncipe saudita Alwaleed bin Talal, o homem mais rico do mundo árabe, segundo a revista “Arabian Business”, e o 26º na lista da revista “Forbes”, é o mais recente accionista da rede social e plataforma demicroblogging Twitter, com um investimento de 300 milhões de dólares (230 milhões de euros).

    Não foram divulgados pormenores sobre esta operação financeira, mas os 300 milhões do príncipe saudita representam três por cento dos oito mil milhões de dólares (seis mil milhões de euros) com que a empresa foi avaliada no Verão passado por um conjunto de empresas liderado pela russa DST Global.

    “As redes sociais vão modificar o panorama da indústria dos media nos próximos anos. O Twitter vai captar e rentabilizar financeiramente esta tendência positiva”, justificou Ahmed Halawani, director executivo do departamento de investimentos internacionais da Kingdom Holding Company, citado pelo site de informação financeira MarketWatch.

    Sobrinho do rei da Arábia Saudita, Alwaleed bin Talal tem aumentado a sua fortuna com investimentos nas áreas dos media e do entretenimento. Principal accionista da Kingdon Holding Company – que detém uma parte importante da financeira Citigroup –, o príncipe Bin Talal controla parte de empresas como a Apple e é o segundo maior accionista da gigante News Corp. de Ruppert Murdoch (“The Times”, “The Wall Street Journal”, “The Sun”, “The New York Post”, 20th Century Fox, Fox Broadcasting Company, entre outros).

    […]

    Apesar da sua influência nas revoluções da chamada Primavera Árabe, a notícia que gerou mais “tweets” por segundo foi a da gravidez da cantora Beyoncé: durante a gala MTV Music Awards, em Agosto deste ano, o anúncio fez disparar quase nove mil mensagens por segundo. Mas o Twitter também mostrou que pode ser um meio importante de solidariedade: o “tweet” que mais circulou entre os utilizadores em 2011 foi publicado pela cadeia norte-americana de “fast food” Wendy’s, que dessa forma entregou mais de 50 mil dólares a associações de famílias de acolhimento.

    aqui.

    Obrigado ao Jorge, pela música do outro (Seu) Jorge.

     
  • pedrolopesalmeida 15:47 on 11/12/2011 Permalink | Responder  

    crise, desigualdade e exploração. inevitabilidades premeditadas, ou o crime afinal compensa. 

     

     

    Na conferência TED onde era convidado, e que postei aqui, Richard Wilkinson demonstra com bastante rigor como não é o aumento da produtividade, nem, consequentemente, o da competitividade, o factor responsável pela melhoria das condições de vida das sociedades ocidentais, medidos em critérios básicos como educação, saúde, emprego, acesso a bens culturais, mobilidade, etc., mas sim, de modo transversal, a eficácia da distribuição da riqueza. Assim, de acordo com os estudos realizados pelo investigador e professor emérito da Nottingham University, os índices de satisfação e qualidade de vida de um país não estão ligados por nenhuma relação de proporcionalidade à competitividade da sua economia, mas, por outro lado, aumentam à medida a que as desigualdades sociais se esbatem, e diminuem na medida em que se aprofunda o fosso social. Nos países onde se regista uma maior diferença entre os 20% do topo e os 20% da base social, a qualidade de vida tende a diminuir, e todos os indicadores de crescimento se retraem.

    No começo da semana, a OCDE divulgou os resultados do relatório “Divided We Stand: Why Inequality Keeps Rising”. De acordo com o estudo,  “o fosso entre ricos e pobres atingiu o nível mais elevado dos últimos 30 anos”, e “Portugal continua a ser um dos países mais desiguais do mundo desenvolvido, com um fosso acentuado na distribuição dos rendimentos, e o mais desigual entre as economias europeias”,  “em que os 20 por cento mais ricos têm rendimentos seis vezes superiores(6,1) aos dos 20 por cento mais pobres, revela a OCDE”. E isto explica muita coisa. Ajuda a perceber, nomeadamente, por que motivo o aumento acéfalo da carga horária laboral não vai contribuir em nada para o desenvolvimento social e económico do país, mas vai servir para intensificar a acumulação de capital nos 20% do topo da pirâmide social, com um roubo total de cerca de 20 dias de trabalho anuais não remunerados. Permite identificar uma nítida bipolarização social, com o desaparecimento económico das classes médias e a migração para um modelo laboral característico das zonas geográficas subdesenvolvidas. E permite tomar consciência de que o tão difamado “Estado social”, contra quem os governos europeus dirigem concertadamente as suas acções, é, hoje, o mais importante instrumento na distribuição eficaz de riqueza e mitigação do fosso social: “Ainda em relação a Portugal, o estudo demonstra que se trata de um dos países onde as transferências em dinheiro e em prestação de serviços públicos, como a educação e a saúde, revelam maior capacidade de atenuar o hiato entre os mais pobres e os mais ricos, com reduções superiores a 35 por cento, dez pontos percentuais acima da média do resultado médio das políticas sociais na OCDE”. Como diria a Alberta Marques Fernandes, contra factos, não há argumentos.

    Nos videos acima, retirados do canal do youtube do The Story of Stuff Project, fica feito um diagnóstico irrepreensível das grandes linhas políticas que nos conduziam a este momento. Vale, definitivamente, a pena assistir a The Story of Stuff e a The Story of Broke. É do tipo de coisas que deviam começar a passar nas escolas.

     
  • pedrolopesalmeida 15:14 on 11/12/2011 Permalink | Responder  

    a questão da culpa europeia. 

    “Em «O pequeno livro do grande terramoto», Rui Tavares descreve a forma como o moralismo religioso justificou a hecatombe que se abateu sobre Lisboa em 1755. As ondas dotsunami, o estremecer das entranhas da terra e os incêndios que devoraram a cidade não eram mais do que a expressão da justiça divina, que desse modo castigava o alastrar do pecado e do vício.

    Poderá hoje dizer-se que esta explicação metafísica nasceu da incapacidade para compreender as causas de uma catástrofe natural (a teoria da tectónica de placas surgiria, de facto, apenas cerca de um século mais tarde). O insuportável vazio foi ocupado pelo obscurantismo, que a ausência de explicações alternativas, racionais, legitimou.Um terramoto abala hoje a Europa e (de uma forma que até há muito pouco tempo diríamos não ser possível) os seus alicerces mais sólidos. Para os tecnocratas moralistas, a crise que a União atravessa não é senão a consequência do vício do endividamento, em que incorreram Estados irresponsáveis. Por isso se impõe penitência e disciplina. Por isso os incumpridores devem ser obrigados a abdicar da sua soberania e da própria democracia.

    O futuro olhará para estes dias negros com a mesma 

    perplexidade e estranheza com que hoje se encara a explicação moralista do terramoto de 1755. [… ]”

    Nuno Serra, no Ladrões de Bicicletas, 10.12.2011

     
  • pedrolopesalmeida 01:07 on 09/12/2011 Permalink | Responder  

    “provocadores em funções de defesa pública”? 

    depois da torrente de evidências de que estamos, de facto, a um passo da lei marcial, aqui no 5dias e aqui no portugal uncut, de uma crónica onde Manuel António Pina alude à possibilidade de, no dia 24 de Novembro, a psp ter “feito o mal e a caramunha”, e de apelos vindos de todos aqueles que não conseguem pactuar com a hipocrisia que só serve para legitimar o injustificável, o director nacional da psp admitiu que “polícias à civil se integraram como manifestantes e provocadores em funções de defesa pública na própria manifestação”. o miguel macedo, na quarta-feira, na tvi, fez o que este governo sabe fazer melhor: engonhar, falar sem dizer nada.

    fica uma pergunta: onde terão recebido os agentes provocadores infiltrados a formação para o exercício das funções de insultadores? palavra de honra que gostava de conhecer o tipo que lhes terá dito “vais lá para a frente, abanas o gradeamento e chamas fascistas aos colegas, que está feito”. é que se querem uma coisa como deve ser, não lhes tinha custado nada irem a uma manifestação de um primeiro de maio, e aprendiam como é que se fazem as coisas. para alguém acreditar que é verosímil fazer aquelas figuras tristes, de calções e óculos de sol, ou anda a ver demasiados filmes ou sofre de severos problemas mentais. creio os dirigentes policiais por detrás deste esquema e o MAI se revêem em ambas as patologias.

    é triste. se eles rompem as regras de convivência democrática, a título de “provocadores”, o que estão à espera que agora se siga?

    P.S.: valha-nos nosso senhor jesus cristo.

     
  • pedrolopesalmeida 18:02 on 04/12/2011 Permalink | Responder  

    o pecado mora ao lado. 

    © REUTERS/Mikhail Voskresensky, aqui.

     
  • pedrolopesalmeida 01:00 on 02/12/2011 Permalink | Responder  

    revista de imprensa. 

    Estado de excepción económica permanente

    «El País», José María Ridao, 26/11/2011, aqui.

    ¿Expertos o políticos? – No solo alarma que se impongan Gobiernos técnócratas, sino que todos los Ejecutivos actúen como tales

    En Los orígenes del totalitarismo, Hannah Arendt consideró como “desesperados intentos de escapar a la responsabilidad” las múltiples ideologías que, desde mediados del siglo XIX, pretendieron encarnar “las claves de la Historia”. El fantasma del comunismo recorriendo Europa, como después lo harían los del fascismo y el nazismo, eran la referencia implícita en la expresión “múltiples ideologías” que utiliza Arendt. Desmoronado el comunismo y derrotados militarmente el fascismo y el nazismo, se podría pensar que Europa estaba, por fin, libre de fantasmas. Y, sin embargo, durante las últimas semanas uno nuevo habría empezado a recorrerla a consecuencia de la crisis del euro y de la deuda soberana. Primero en Grecia y después en Italia, el fantasma de la tecnocracia ha hecho su aparición. El Gobierno de ambos países, cuya gestión económica ha fracasado, se ha visto desplazado por equipos de especialistas que han contado con el voto mayoritario de los respectivos parlamentos.

    La fórmula, de apariencia novedosa, evoca a través de inquietantes semejanzas una constelación de respuestas a las situaciones de crisis conocidas y experimentadas desde los tiempos más remotos. En la Roma clásica, el Senado contaba entre sus atribuciones la de nombrar a un dictador para hacer frente a dificultades extraordinarias, como era el caso de la guerra. Se entendía como una medida de excepción vinculada a la situación que debía resolver la dictadura, tras la que el propio sistema político preveía el regreso a la normalidad. Los puntos débiles de este mecanismo tenían que ver no solo con la naturaleza del poder, que entonces y ahora tiende a perpetuarse, sino con la determinación del momento en el que debían considerarse superadas las dificultades extraordinarias y en el que, por tanto, debía cesar la dictadura. En teoría, la determinación de ese momento correspondía al Senado. En la práctica, el dictador disponía de no pocos recursos para hacer que las dificultades extraordinarias se prolongasen y para que, ateniéndose a la lógica estricta del mecanismo, también se prolongase su mandato.

    Carl Schmitt tuvo presente el ejemplo de la dictadura romana para elaborar una de sus más controvertidas tesis jurídicas, con la que el ascenso de Hitler se justificaba como estricta aplicación de la Constitución de Weimar. El dictador clásico, lo mismo que el moderno, tenía en su mano prolongar las dificultades extraordinarias por el simple procedimiento de crear otras nuevas, que presentaba como inevitable solución de las que habían aconsejado su nombramiento. Para poner fin a una guerra, el dictador sostenía que era necesario emprender una segunda que acabase de una vez por todas con la amenaza, lo que obligaba a mantener la dictadura. Y, puesto que acabar con esta segunda guerra podía exigir emprender una tercera, y así indefinidamente, el resultado es que el que destila una experiencia larga de siglos: guerra y dictadura son dos caras de la misma moneda. Hacia el interior la dictadura se justifica por la guerra y, hacia el exterior, la guerra se emprende para justificar la dictadura. Sobre este bucle, que puede establecerse partiendo de la guerra pero también de cualquier otra amenaza, sea el terrorismo o una profunda crisis económica, Carl Schmitt construyó la doctrina del estado de excepción permanente, un sumidero por el que la democracia se precipita voluntariamente en la dictadura.

    […]

    Aunque cargado de menos dramatismo, el argumento sigue siendo válido si, en lugar de una guerra, las dificultades extraordinarias que toma en consideración un parlamento para conceder el poder a un Gobierno de excepción son económicas. Si el Gobierno de excepción fracasa contra la crisis, es el régimen democrático el que fracasa. Pero si logra resolverla, la legitimidad democrática puede convertirse a partir de ese momento en un prejuicio de puristas, en un ensueño benéfico que no resiste el contraste con la realidad y al que conviene renunciar en nombre del pragmatismo o del sentido común. Es precisamente eso, el pragmatismo, el sentido común, o por mejor decir, el espejismo del pragmatismo, del sentido común, lo que ha hecho de la República gobernada por los filósofos, por la aristocracia de los sabios, una tentación irresistible desde los tiempos de Platón, a la que en España sucumbió Ortega lo mismo que, en Italia, Mosca y Pareto. Como también han sucumbido, en fechas más recientes, quienes trataron de justificar algunas dictaduras latinoamericanas, como la de Augusto Pinochet en Chile, por los éxitos económicos alcanzados bajo la influencia de los académicos de la Escuela de Chicago.

    Sabios de la guerra en el pasado o sabios de la economía en el presente, sabios, en fin, de cualquier sabiduría, cuyas decisiones no están inspiradas por el objetivo de arbitrar intereses diferentes y legítimos, que es el sentido último de la política democrática, sino por un saber, por una ciencia que solo obedece a sus propias leyes y para la que la realidad, incluida la realidad social, compuesta por individuos libres, no pasa de ser un simple campo de experimentación. Si el saber, si la ciencia que aplican los Gobiernos de excepción, los sabios de cualquier sabiduría que gobiernan la República de Platón, exige esfuerzos sobrehumanos, si justifica un sufrimiento que haría retroceder de espanto a cualquier dirigente democrático, la responsabilidad no es de esos Gobiernos, no es de esos sabios, sino del saber, de la ciencia que aplican. Cuando, en Los orígenes del totalitarismo, Hannah Arendt considera como “desesperados intentos de escapar a la responsabilidad” las múltiples ideologías que, desde mediados del siglo XIX, pretendieron encarnar “las claves de la Historia”, ¿a qué se estaba refiriendo sino a esos Gobiernos cuyas decisiones no están inspiradas por el objetivo de arbitrar intereses sociales diferentes y legítimos, sino por un saber, por una ciencia que solo obedece a sus propias leyes?

    Lucas Papademus en Grecia, y Mario Monti en Italia, pueden tener, como sin duda tienen, intachables credenciales democráticas. Pero no es seguro que ni siquiera dos dirigentes con esas credenciales estén en condiciones de garantizar que el procedimiento que les ha aupado al Gobierno no acabe desencadenando el bucle que conduce al estado de excepción permanente que teorizó Carl Schmitt; en este caso, a un estado de excepción económica permanente. Porque, si se demoran los resultados de las medidas contra la crisis inspiradas por su saber, por su ciencia, las dificultades extraordinarias por las que ahora los han investido los respectivos parlamentos serán aún más extraordinarias después, y la prolongación del mandato de sus Gobiernos tecnocráticos sería una respuesta consecuente. La prolongación del mandato con ellos al frente o sustituyéndolos por otros tecnócratas, por otros sabios, pero, en cualquier caso, convalidando un estado de excepción en el que podría resultar más fácil instalarse de modo permanente, al menos mientras dure la crisis, que emprender la marcha atrás, reconociendo el fracaso del sistema democrático para combatirla y abriendo la caja de Pandora de arbitrismos y populismos.

    […] Pero el peligro en estos momentos no es solo que se imponga esa fórmula como en Grecia e Italia, sino también que los Gobiernos democráticos actúen o se vean obligados a actuar como si fueran tecnocráticos. Lo harían si olvidasen que su acción debe estar inspirada, ahora más que nunca, ahora más, mucho más que en los tiempos de prosperidad, por el objetivo de arbitrar intereses sociales diferentes y legítimos, no por un saber, por una ciencia que solo obedece a sus propias leyes y que exige esfuerzos sobrehumanos y justifica todos los sacrificios.

    La política económica de cortos vuelos impuesta por la Unión Europea a los países más expuestos a la crisis del euro y la deuda soberana está obligando, en último extremo, a que los Gobiernos democráticos actúen como si fueran tecnocráticos y, en definitiva, a que en Europa se establezca, con o sin declaración expresa, un estado de excepción económica permanente. A juzgar por los resultados obtenidos hasta el momento, no parece que esa política esté conduciendo a la salida de la crisis del euro y de la deuda soberana. Más parece estar degradando las instituciones democráticas de los países más expuestos, humillando a los diversos Gobiernos nacionales salidos de las urnas y haciendo de la Unión un monstruo político que genera sufrimiento y desafección, no prosperidad y libertades. De persistir en la misma dirección, el fantasma de la tecnocracia que ha empezado a recorrer Europa podría tener efectos tan amargos, tan devastadores como los demás fantasmas que le precedieron.

     Obrigado ao Luís pela referência. Sublinhados meus.

    Camps Are Cleared, but ‘99 Percent’ Still Occupies the Lexicon

    «The New York Times (U.S.)», Brian Stelter, November 30, 2011, aqui.

    Whatever the long-term effects of the Occupy movement, protesters have succeeded in implanting “We are the 99 percent,” referring to the vast majority of Americans (and its implied opposite, “You are the one percent” referring to the tiny proportion of Americans with a vastly disproportionate share of wealth), into the cultural and political lexicon.

    First chanted and blogged about in mid-September in New York, the slogan become a national shorthand for the income disparity. Easily grasped in its simplicity and Twitter-friendly in its brevity, the slogan has practically dared listeners to pick a side.

    “We are getting nothing,” read the Tumblr blog “We Are the 99 Percent” that helped popularize the percentages, “while the other one percent is getting everything.”

    Within weeks of the first encampment in Zuccotti Park in New York, politicians seized on the phrase. Democrats in Congress began to invoke the “99 percent” to press for passage of President Obama’s jobs act — but also to pursue action on mine safety, Internet access rules and voter identification laws, among others. Republicans pushed back, accusing protesters and their supporters of class warfare; Newt Gingrich this week called the “concept of the 99 and the one” both divisive and “un-American.”

    Perhaps most important for the movement, there was a sevenfold increase in Google searches for the term “99 percent” between September and October and a spike in news stories about income inequality throughout the fall, heaping attention on the issues raised by activists.

    “The ‘99 percent,’ and the ‘one percent,’ too, are part of our vocabulary now,” said Judith Stein, a professor of history at the City University of New York.

    Soon there were income calculators (“What Percent Are You?” asked The Wall Street Journal), music playlists (an album of Woody Guthrie covers, promoted as a “soundtrack for the 99 percent”) and cheap lawn signs. And, inevitably, there were ads: a storefront near Union Square peddles “Gifts for the 99 percent.” A trailer for a Showtime television series about management consultants, “House of Lies,” describes the lead characters as “the one percent sticking it to the one percent.” A Craigslist ad for a three-bedroom apartment in Brooklyn has the come-on “Live Like the One Percent!” (in this case, in Boerum Hill).

    These days, the language of the Occupy movement is being reappropriated in new ways seemingly every day. CBS ran a radio spot last that invited viewers to “occupy your couch.” On Thanksgiving, people joked online about occupying the dinner table. Now, on Facebook, holiday revelers are inviting friends to “one percent parties.”

    Slogans have emerged from American protest movements, successful and otherwise, throughout history. The American Revolution furnished the world with “Give me liberty or give me death” and the still-popular “No taxation without representation.” The equal rights movement in the 1960s used the phrase “59 cents” to point out the income disparities between women and men. The civil rights movement embraced the song “We Shall Overcome” as a slogan. During the Vietnam War, protesters called on politicians to “Bring ’em Home” and “Stop the Draft.” More recently, supporters of Mr. Obama shouted “Yes, we can.”

    The idea behind the 99 percent catchphrase has its roots in a decade’s worth of reporting about the income gap between the richest Americans and the rest, and more directly in May in a Vanity Fair column by the liberal economist Joseph E. Stiglitz titled “Of the 1%, by the 1%, for the 1%.” The slogan that resulted in September identified both a target, the “one percent,” and a theoretical constituency, everyone else.

    Rhetorically, “it was really clever,” said David S. Meyer, a University of California, Irvine, professor who studies social movements. “Deciding whom to blame is a key task of all politics,” he wrote in his blog about the phrase.

    “It’s something that kind of puts your opponents on the defensive,” he said in an interview.

    In some cases even politicians who have been put on the defensive by the movement have resorted to the same rhetoric. When Philadelphia’s mayor, Michael A. Nutter, announced last week that the protesters there had to make way for a construction project, he emphasized that the project would be “built by the 99 percent, for the 99 percent.”

    Xeni Jardin, the editor of the influential blog Boing Boing, which has featured the protests every day since they began, praised the slogan for capturing “a mounting sense of unfairness in America” and distilling it “into something very brief.”

    But she also called it “fundamentally unfair” because within the so-called 99 percent that have slept at occupations across the country, there are many well-to-do college students but just as many, if not more, homeless individuals. “There are many shades of gray,” she said.

    But attempts to mock or subvert the slogan seem not to have stuck; as Ms. Jardin put it, “How do you make fun of numbers?” A Tumblr blog that was set up to compete with “We Are the 99 Percent,” called “We Are the 53%,” (referring to the estimated percentage of Americans who pay federal income taxes) has not been updated for two weeks.

    Ms. Stein at CUNY believes that the 99 percent rallying cry will have limited effect in the future. “I don’t think a good slogan is enough to revivify a movement or our politics,” she said.

    But Mr. Meyer said the catchphrase is a useful one in that it gives continuity and coherence to a movement that is losing some of its camps in major cities across the country. “Occupy takes its name from the occupation,” he said. “If Occupy continues without occupations, what provides continuity with those people in Zuccotti Park? The slogan.”

    The slogan was chanted again early on Wednesday morning in Los Angeles and Philadelphia as police there cleared out the Occupy campsites in each city. As they lost physical ground for their local movements, protesters told each other online, “You can’t evict an idea.”

    A version of this article appeared in print on December 1, 2011, on page A1 of the New York edition with the headline: Camps Are Cleared, but ‘99 Percent’ Still Occupies the Lexicon.

    Viver acima dos meios

    The Ressabiator, Mário Moura, post de 25/11, aqui.

    Uma das frases feitas desta crise é que “temos vivido acima dos nossos meios”, significando que nos endividámos e que agora chegou a altura de pagar a factura. É inevitável. Para isso teremos que assumir uma austeridade digna, trabalhando mais por menos.

    Mas, para muita gente, trabalhar mais por menos é o pão nosso de cada dia (ou a falta dele): estagiários a fazerem design de graça durante meses só para serem dispensados em direcção ao estágio não-remunerado seguinte.

    Já não é novidade que muitas empresas encontraram a sua rentabilidade explorando um fluxo constante de trabalho gratuito, sendo efectivamente sustentadas pelos seus trabalhadores (ou mais exactamente pelos seus pais). Exposições e eventos de arte onde os comissários, carpinteiros e arquitectos são pagos, mas o pagamento dos artistas se resume a ajudas de custo (na melhor das hipóteses).

    Devia ser óbvio que, quando se diz que não há emprego em Portugal, se está a cometer uma imprecisão: há bastante trabalho, o que não há são salários – o que leva à conclusão que também houve e há muitas empresas em Portugal que vivem acima dos seus meios, na medida em que conseguem ser concorrenciais, fazendo preços baratos e ainda por cima ter lucros, simplesmente esquecendo-se que o trabalho costuma ser pago.

    Obrigado à Rita.

    Austeridade é receita para suicídio económico, diz Nobel da Economia

    Lusa, publicado no i online, 25/11, aqui.

    O prémio Nobel da Economia em 2001 e antigo vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, afirmou na quinta-feira que as políticas de austeridade constituem uma receita para “menos crescimento e mais desemprego”.

    Stiglitz considerou que a adoção dessas políticas “corresponde a um suicídio” económico.

    “É preciso perceber-se que a austeridade por si só não vai resolver os problemas porque não vai estimular o crescimento”, afirmou Stiglitz, num encontro com jornalistas na Corunha, em Espanha, onde proferiu a conferência “Pode o capitalismo salvar-se de si mesmo?”, noticia a Efe.

    O economista sugeriu ao novo governo espanhol que vá “além da austeridade” e que proceda a uma reestruturação das despesas e da fiscalidade como medida básica para criar emprego.

    Recomendou em particular uma fiscalidade progressiva e um apoio ao investimento das empresas.

    “Temo que se centrem na austeridade, que é uma receita para um crescimento menor, para uma recessão e para mais desemprego. A austeridade é uma receita para o suicídio”, afirmou.

    Para o Nobel da Economia de 2001, “a menos que Espanha não cometa nenhum erro, acerte a cem por cento e aplique as medidas para suavizar a política de austeridade, vai levar anos e anos” a sair da crise.

    O antigo vice-presidente do Banco Mundial disse que as reformas estruturais europeias “foram desenhadas para melhorar a economia do lado da oferta e não do lado da procura”, quando o problema real é a falta de procura.

    Por isso, rejeitou as propostas a favor de mais flexibilidade laboral: “Se baixamos os salários, vai piorar a procura e a recessão”, alertou Stiglitz, defendendo que “é necessário” que a flexibilidade seja acompanhada por “compensações do lado da segurança” para os trabalhadores.

    “Em economia, há um princípio elementar a que se chama efeito multiplicador do orçamento equilibrado: se o governo sobe os impostos mas, ao mesmo tempo, gasta o dinheiro que recebe dos impostos, isto tem um efeito multiplicador sobre a economia”, explicou, apresentando a sua receita para sair da crise.

     
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