Updates from Outubro, 2011 Toggle Comment Threads | Atalhos de teclado

  • pedrolopesalmeida 14:55 on 31/10/2011 Permalink | Responder  

    Democracy is the enemy 

    Slavoj Zizek, London Review of Books, 28 October 2011.

    The protests on Wall Street and at St Paul’s Cathedral are similar, Anne Applebaum wrote in the Washington Post, ‘in their lack of focus, in their inchoate nature, and above all in their refusal to engage with existing democratic institutions’. ‘Unlike the Egyptians in Tahrir Square,’ she went on, ‘to whom the London and New York protesters openly (and ridiculously) compare themselves, we have democratic institutions.’

    Once you have reduced the Tahrir Square protests to a call for Western-style democracy, as Applebaum does, of course it becomes ridiculous to compare the Wall Street protests with the events in Egypt: how can protesters in the West demand what they already have? What she blocks from view is the possibility of a general discontent with the global capitalist system which takes on different forms here or there.

    ‘Yet in one sense,’ she conceded, ‘the international Occupy movement’s failure to produce sound legislative proposals is understandable: both the sources of the global economic crisis and the solutions to it lie, by definition, outside the competence of local and national politicians.’ She is forced to the conclusion that ‘globalisation has clearly begun to undermine the legitimacy of Western democracies.’ This is precisely what the protesters are drawing attention to: that global capitalism undermines democracy. The logical further conclusion is that we should start thinking about how to expand democracy beyond its current form, based on multi-party nation-states, which has proved incapable of managing the destructive consequences of economic life. Instead of making this step, however, Applebaum shifts the blame onto the protesters themselves for raising these issues:

    ‘Global’ activists, if they are not careful, will accelerate that decline. Protesters in London shout: ‘We need to have a process!’ Well, they already have a process: it’s called the British political system. And if they don’t figure out how to use it, they’ll simply weaken it further.

    So, Applebaum’s argument appears to be that since the global economy is outside the scope of democratic politics, any attempt to expand democracy to manage it will accelerate the decline of democracy. What, then, are we supposed to do? Continue engaging, it seems, in a political system which, according to her own account, cannot do the job.

    There is no shortage of anti-capitalist critique at the moment: we are awash with stories about the companies ruthlessly polluting our environment, the bankers raking in fat bonuses while their banks are saved by public money, the sweatshops where children work overtime making cheap clothes for high-street outlets. There is a catch, however. The assumption is that the fight against these excesses should take place in the familiar liberal-democratic frame. The (explicit or implied) goal is to democratise capitalism, to extend democratic control over the global economy, through the pressure of media exposure, parliamentary inquiries, harsher laws, police investigations etc. What goes unquestioned is the institutional framework of the bourgeois democratic state. This remains sacrosanct even in the most radical forms of ‘ethical anti-capitalism’ – the Porto Allegre forum, the Seattle movement and so on.

    Here, Marx’s key insight remains as pertinent today as it ever was: the question of freedom should not be located primarily in the political sphere – i.e. in such things as free elections, an independent judiciary, a free press, respect for human rights. Real freedom resides in the ‘apolitical’ network of social relations, from the market to the family, where the change needed in order to make improvements is not political reform, but a change in the social relations of production. We do not vote concerning who owns what, or about the relations between workers in a factory. Such things are left to processes outside the sphere of the political, and it is an illusion that one can change them by ‘extending’ democracy: say, by setting up ‘democratic’ banks under the people’s control. Radical changes in this domain should be made outside the sphere of such democratic devices as legal rights etc. They have a positive role to play, of course, but it must be borne in mind that democratic mechanisms are part of a bourgeois-state apparatus that is designed to ensure the undisturbed functioning of capitalist reproduction. Badiou was right to say that the name of the ultimate enemy today is not capitalism, empire, exploitation or anything of the kind, but democracy: it is the ‘democratic illusion’, the acceptance of democratic mechanisms as the only legitimate means of change, which prevents a genuine transformation in capitalist relations.

    The Wall Street protests are just a beginning, but one has to begin this way, with a formal gesture of rejection which is more important than its positive content, for only such a gesture can open up the space for new content. So we should not be distracted by the question: ‘But what do you want?’ This is the question addressed by male authority to the hysterical woman: ‘All your whining and complaining – do you have any idea what you really want?’ In psychoanalytic terms, the protests are a hysterical outburst that provokes the master, undermining his authority, and the master’s question – ‘But what do you want?’ – disguises its subtext: ‘Answer me in my own terms or shut up!’ So far, the protesters have done well to avoid exposing themselves to the criticism that Lacan levelled at the students of 1968: ‘As revolutionaries, you are hysterics who demand a new master. You will get one.’

    aqui. sublinhados meus.

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  • pedrolopesalmeida 14:01 on 27/10/2011 Permalink | Responder  

    to be or not to be? what is the implicit horizon of understanding? 

     

    de Zizek!, Astra Taylor, 2005.

     
  • pedrolopesalmeida 16:27 on 25/10/2011 Permalink | Responder  

    ilustração da crítica literária. 

    O último romance de José Rodrigues dos Santos “não é verdadeira literatura”. “É uma imitação requentada, superficial e maçuda [de outras obras]”, acusa o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), numa nota demolidora sobre O Último Segredo, o romance em que o jornalista da RTP se propõe, com recurso a “fontes religiosas e informações históricas e científicas”, revelar “a verdadeira identidade de Jesus Cristo”.

    Sem discutir a qualidade literária da obra, o SNPC não disfarça a irritação face ao “tom de intolerância desabrida” com que, no entender deste organismo da Igreja Católica, o autor pretende entrar “na história da formação da Bíblia”, por um lado, e na “fiabilidade das verdades de Fé em que os católicos acreditam, por outro”.

    Na nota publicada ontem no site do SNPC, José Rodrigues dos Santos é acusado de pretender “abrir com grande estrondo uma porta que há muito está aberta”. Pior: “Confunde datas e factos, promete o que não tem, fala do que não sabe”, lê-se ainda na nota do organismo dirigido pelo padre e poeta José Tolentino Mendonça, na qual o romancista é acusado de escrever “centenas de páginas sobre um assunto tão complexo sem fazer ideia do que fala”.

    Ao PÚBLICO, José Rodrigues dos Santos reagiu num único parágrafo. “O mais interessante nesta crítica é que não é contestado um único facto que apresentei em O Último Segredosobre a vida de Jesus. Há uma boa razão para isso. É que tudo o que no romance escrevi, no que diz respeito a citações biblicas ou informações históricas ou científicas, é verdadeiro – e a Igreja sabe.”

    Apesar de Rodrigues dos Santos ter vendido mais de um milhão de exemplares das suas obras e estar traduzido para 17 línguas, não é de esperar que em torno deste nono romance se desencadeie uma polémica semelhante à ocorrida em 1992 quando o então subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, decidiu vetar o livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, a uma candidatura ao Prémio Literário Europeu, com a alegação de que este não representava Portugal. Mesmo assim, não é todos os dias que a Igreja Católica se põe a tecer considerandos sobre uma obra literária. Em tom tão desabrido, ainda por cima. “É impensável, por exemplo, para qualquer estudioso da Bíblia atrever-se a falar dela, como José Rodrigues dos Santos o faz, recorrendo a uma simples tradução. A quantidade de incorrecções produzidas em apenas três linhas, que o autor dedica a falar da tradução que usa, são esclarecedoras quanto à indigência do seu estado de arte.”

    Em O Último Segredo, José Rodrigues dos Santos recupera a personagem do historiador e criptanalista Tomás de Noronha para a pôr “no trilho dos enigmas da Bíblia”, a pretexto da investigação sobre o assassínio de uma paleógrafa na Biblioteca Vaticana. Na apresentação que do romance é feita pela Editora Gradiva, lê-se que a história se baseia em “informações genuínas” para desvendar “a chave do mais desconcertante enigma das Escrituras”. Muito ao estilo de Dan Brown, portanto. E uma das coisas que está a irritar a Igreja Católica é a nota, “colocada estrategicamente à entrada do livro, a garantir que tudo é verdade”, como explica ainda o SNPC.

    No documento, Rodrigues dos Santos é acusado de ter assumido para si as teses que o teólogo norte-americano Bart D. Ehrman fez constar na sua obra Misquoting Jesus. The Story Behind who Changed the Bible and Why, a qual o SNPC acusa de partir de “uma tese radical, claramente ideológica, longe de ser reconhecida credível”. Comparar as duas obras é, conclui o SNPC, “tarefa com resultados tão previsíveis que chega a ser deprimente”.

    artigo do Público, «Igreja Católica arrasa o último romance de José Rodrigues dos Santos», de 25 de Outubro.

     

    É delicioso ser confrontado com fresquíssima tenacidade crítica dos teólogos católicos. Não estamos, de modo nenhum, perante um novo caso Madame Bovary. O que sucede, hoje, é que as estruturas do poder religioso conseguem articular na perfeição a linguagem crítica dominante para, sem grandes contrastes, a utilizarem em proveito dos seus fins. E isso não contraria em nada o uso que hoje se faz da literatura nos meios de difusão da crítica. Pelo contrário: reconduz a disposição ética dos intelectuais mainstream à verdade dos seus intentos. Não há, com efeito, uma diferença de substância entre esta nota do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) e as notas críticas do ípsilon, da LER, do Câmara Clara ou dos blogues sobre livros que toda a gente conhece. O tom analítico com laivos de isenção é o mesmo, a presunção de um ponto de vista transcendente repete-se, a autoridade moral do leitor equiparável, o debitar de juízos morais disfarçados por uma linguagem aparentemente neutra, sobreponível, a ocupação de um lugar pastoral relativamente à comunidade dos demais leitores, igualzinha (onde estão as estrelinhas atribuídas pelo SNPC ao livro??), as estratégias de colagem da obra a categorias abstractas ou a outras obras como táctica de manipulação do valor relativo são comuns, como igualmente comum é a redução a etiquetas crípticas e operadores conceptuais que funcionam como denominadores comuns de insulto ou loa – aqui, evidentemente, de insulto. A nota do SNPC podia figurar, sem grande escândalo, nas colunas críticas de boa parte da nossa imprensa. Apenas um aspecto a distingue singularmente dos cronistas a que estamos habituados: é que aqui os objectivos específicos assumem-se inteiramente, deixando a nu os interesses do campo que justificam e legitimam a tomada de posição radical. Aqui, não há em grau tão elevado o subtil retorcer de pontos de vista para simular uma abordagem rigorosa, imparcial, e desembocar na confirmação dos critérios de selecção que toda a gente sabe quais são, e que espécie de textos admitem. Aqui, essa motivação inconfessável é a própria raison d’être da nota crítica, sem qualquer pudor ou disfarce: aqui, a crítica é isso mesmo, crítica, enquanto acto de uma escolha subjectiva (neste caso, intersubjectiva), parcial, ideológica, defensiva, doadora de identidade. Sem papas na língua. E isto faz-me pensar nos tempos em que ainda havia lugar à disputa de posições no âmbito da crítica e, de forma mais alargada, dos estudos literários. Quando o equilíbrio de forças ainda permitia que alguém assumisse objectivamente o lugar que ocupava no campo – tal como faz aqui José Tolentino Mendonça. Há coisa de um ano, a propósito de uma coisa vermelha, levantou-se por aí uma espécie de polémica que fez lembrar, ainda que de modo um pouco pálido, o que seriam esses tempos em que alguém ou era pró ou era contra. Mas a escassez de debate, a ausência de pontos fracturantes, a carência de discussões, aquilo que se pode chamar, sem exagero, discussões, acusa o estado de letargia a que chegámos. Isto porque a golpes de uma ambição de rigor se destruiu a possibilidade de ocupar um lugar na base de um conjunto de convicções. O especialista, e o crítico à sua imagem, é justamente a materialização institucional daquele que se desenraizou ao ponto de poder falar do seu objecto independentemente de crenças, contextos, posições relativas ou influências exteriores. Paradoxalmente, o seu discurso, de um certo modo nos antípodas do do SNPC, é o discurso que qualquer bom imitador pode mimetizar, porque ele diz o que é esperado que ele diga a partir de um ponto neutral. O lugar do crítico é, hoje, o daquele taxista com pronúncia francesa que foi conduzido por engano ao lugar do convidado durante um directo da BBC e é tomado pelo especialista em tecnologias da informação que era suposto ali estar. Quando lhe pedem um parecer sobre um veredicto relativo à legalidade do download de conteúdos de autor, formula uma declaração redonda, quase insuspeita, a ponto de a pivot continuar a entrevista, e a emissão seguir adiante, quase sem se fazer notar estranheza – não fosse o esgar no rosto do taxista quando percebe naquilo que o meteram, ” – I’m very surprised to see this verdict to come on me, because I was not expecting that, when I came they told me something else, and I’m coming, so it is a big surprise, anyway. – A big surprise?  – Exactly. – Yes, yes…”.

    Um grande bem-haja ao SNPC.

     
  • pedrolopesalmeida 14:32 on 25/10/2011 Permalink | Responder  

    o paradoxo do cliente emancipado. 

    Duas dúzias de manifestantes foram detidos por invasão de propriedade numa filial do Citibank, perto do Washington Square Park, em Nova Iorque, depois de entrarem no banco para levantar dinheiro e fechar as suas contas. O incidente ocorreu no passado dia 15 de Outubro, dia dos protestos globais denominados Occupy Together, e as imagens andam agora a circular pela internet.
    De acordo com a polícia de Nova Iorque, os manifestantes recusaram-se a cumprir o pedido do gerente de banco para que saíssem das instalações e, por isso, foram detidos, apesar de todos eles serem clientes da instituição. O incidente, que foi gravado por várias testemunhas, iniciou um grande debate na web sobre a legalidade das detenções e sobre a actuação policial.

    […]

    Uma das pessoas detidas no Citibank foi o fotógrafo independente e actor Marshall Garrett que contou a história ao “Village Voice”. Contactado pelo i, desculpou-se por não poder dar mais entrevistas, a conselho dos seus advogados, visto que o processo ainda está a decorrer.
    De acordo com Marshall, na referida entrevista ao “Village Voice”, o grupo de 27 manifestantes que entrou no banco foi muito ordeiro, o problema, que ninguém sabia, é que havia entre eles um polícia infiltrado que falou mais alto que todos os outros e perturbou o ambiente. “Os seguranças do banco anunciaram que iriam fechar as portas e, nesse mesmo momento, fecharam-nas e empurraram todos para trás e não nos permitiram  sair, o que é ilegal, dizendo que a polícia estava a chegar para nos prender,” explicou. Marshall passou 31 horas na prisão e a seguir – tal como todos os que ficaram dentro do banco – foi acusado por invasão da agência do banco. Para ele trata-se de uma acusação ridícula porque são clientes do Citibank que foram acusados de invasão de propriedade numa agência do Citibank. E só queriam retirar o seu dinheiro e encerrar as suas contas no banco.
    O fotógrafo acredita que há uma quantidade enorme de polícias infiltrados no movimento Occupy Wall Street, facto que “torna os protestos menos seguros por que eles interferem no movimento, orientam as pessoas de maneira errada, e isso são maneiras ilegais de tentar enviá-los para a prisão”. Maeghan Linick, outra testemunha dos acontecimentos, contou a sua história ao i. Chegou ao banco no momento em que os seguranças fecharam as portas e foi ela quem gravou as imagens, a partir do exterior, e as colocou no YouTube onde, à hora do fecho desta edição, mais de 600 mil pessoas já as tinham visto. Nas imagens é visível o agente da polícia infiltrado a forçar violentamente uma jovem que está à porta do banco a entrar para ser detida com os outros.

    […]

    No mesmo dia, em Santa Cruz, na Califórnia, duas jovens entraram numa agência do Bank of America para encerrarem as suas contas bancárias mas não o puderam fazer. A gestora da sucursal mandou-as sair e não lhes permitiu sequer falar, ameaçando chamar a polícia para as deter. “Não podem ser clientes e manifestantes ao mesmo tempo”, justificou a gerente. Os agentes de polícia chamados ao local pelas manifestantes disseram-lhes que não sabiam se o comportamento do banco era legal ou não e que não podiam fazer nada antes de consultarem um advogado.

    artigo do i, «EUA. “Não podem ser manifestantes e clientes” de um banco», de 24 de Outubro.

     
  • pedrolopesalmeida 22:25 on 19/10/2011 Permalink | Responder  

    decisão de má memória será esta. 

    OE 2012

    Despesa em Educação em percentagem do PIB será a menor da União Europeia

     A despesa pública em educação em percentagem do Produto Interno Bruto, prevista para 2012, vai empurrar Portugal para a cauda da União Europeia.

    De 5% do PIB em 2010, as despesas do Estado com a educação passarão a representar apenas 3,8%. Na UE, a média é de 5,5%. Na Eslováquia, que estava no final do tabela, rondava os 4%.

    O orçamento previsto do MEC é avaliado em 8,1 mil milhões, o que representa uma redução de 400 milhões, por comparação ao que foi orçamentado para 2011 para os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, agora agrupados num único organismo. 

    notícia do Público.
          
     Que gente é esta, que acredita que é roubando ao futuro do país que consegue garantir a estabilidade do presente? Lá virá o dia em que se arrependerão desta data de má memória, em que decidiram que cortar na educação era uma opção para “equilibrar as finanças”. Onde pensam chegar, com esta política cega? Bem-vindos ao deserto da “austeridade digna”: aqui estamos nós, meio século depois, novamente na cauda da Europa no que toca a educação. Chegará o dia, como chegou para outros, em que se arrependerão. Talvez quando esse dia chagar já seja tarde de mais para remediar o mal.
     
  • pedrolopesalmeida 21:53 on 19/10/2011 Permalink | Responder  

    prefácio à transgressão? 

    via Público

     
  • pedrolopesalmeida 14:44 on 14/10/2011 Permalink | Responder  

    we can see that for a long time, we allowed our political engagement also to be outsourced. we want it back. the marriage between democracy and capitalism is over. 


    We all know the classic scenes from cartoons: the cat reaches a precipice but it goes on walking, ignoring the fact that there is nothing beneath its ground. Only when it looks down and notices it, it falls down. This is what we are doing here. We are telling the guys there on Wall Street ” – Hey, look down.” 

    Slavoj Zizek

    A guy was sent from East Germany to work in Siberia. He knew his mail would be read by censors. So he told his friends: “Let’s establish a code. If the letter you get from me is written in blue ink ,it is true what I said. If it is written in red ink, it is false”. After a month his friends get a first letter. Everything is in blue. It says, this letter: “Everything is wonderful here. Stores are full of good food. Movie theaters show good films from the West. Apartments are large and luxurious. The only thing you cannot buy is red ink.”

    This is how we live. We have all the freedoms we want. But what we are missing is red ink. The language to articulate our non-freedom. The way we are taught to speak about freedom, war and terrorism and so on falsifies freedom. And this is what you are doing here: You are giving all of us red ink.

    PS: encontrei a transcrição integral da intervenção aqui. ou, traduzida, aqui.

     
  • pedrolopesalmeida 01:14 on 14/10/2011 Permalink | Responder  

    a melhor frase da semana (a seguir às de passos coelho) 

    no artigo mais surreal de sempre:

    “Com a arquitectura e a bioquímica é só um desafio e acho que qualquer pessoa pode fazer tudo o que quiser”, considera, “com os couchsurfers é diferente.

    in Público, Por que não largar tudo e começar a viajar?”na «Fugas». Nunca o título fugas assentou tão bem a esta secção.

     
  • pedrolopesalmeida 21:01 on 10/10/2011 Permalink | Responder  

    a isto chama-se «pedagogia». 

     

     

    isso mesmo: uma bandeira do PCP, e o (acabado de sair) III tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal :-)

     

     

     

     

    com o camarada Francisco Melo, no último sábado, na Vício das Letras @ SMF

     
  • pedrolopesalmeida 13:34 on 10/10/2011 Permalink | Responder  

    Hester, por Ager Carlsen 

     


     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Hester, Ager Carlsen

     

     

     

     
  • pedrolopesalmeida 01:09 on 07/10/2011 Permalink | Responder  

    e o prémio para o melhor plot sumary do século vai para… 

    Ball of Fire, Howard Hawks, 1941:

    “A group of ivory-tower lexicographers realize they need to hear how real people talk, and end up helping a beautiful singer escape from the Mob.”

    as lições de vida que se apanham no imdb…

     
  • pedrolopesalmeida 14:57 on 06/10/2011 Permalink | Responder  

    o que faz falta. 

    Se fosse escrito em português, o artigo aqui abaixo era «ideológico, demagogo, populista». Mas não, é um diagnóstico publicado ontem no The New York Times, por Steven Erlanger.

    Basicamente, o que falta à Europa é aquela intervenção divina (posta em marcha por Satã, Jb, 1-6) do livro de Job, e que faz o pobre homem acordar e dar consigo na mais perfeita ruína. Até lá, acrescento eu, vamos continuar a palrar de cor o discurso da depauperação voluntária, quando, está bom de ver para quem tiver olhos na cara, nada vai mudar sem um aumento, e um aumento colossal, da despesa, justamente. Doutro modo, não se consegue senão engrossar as bolsas marginalizadas de desempregados, precários e sub-remunerados, ao mesmo tempo a que se aumenta o custo de vida e o preço dos impostos, o que, conjuntamente, além de constituir uma gravíssima irresponsabilidade política, terá, mais dia menos dia, consequências catastróficas para as sociedades europeias. É atirar areia para os olhos das pessoas dizer que com despedimentos massivos é que se vai lá. É enterrar a cabeça na areia, e correr o risco de ficar sem ela.

    Por outro lado, depois de ler Steven Erlanger, não há como evitar a dolorosa recordação da primeira visita do PM à alemanha, à saída das reuniões com angela merkel, e o ar amaricado com que declarava estar em total sintonia com a chanceler, que a emissão de dívida conjunta “não é solução”, explicando aos alemães que a culpa é toda nossa, que eles não devem fazer nada, que devem continuar a comportar-se como se fosse possível ter as vantagens de estar numa moeda única sem ter as responsabilidades de estar numa moeda única, como notou o daniel oliveira: “seria de esperar que quem nos governa se comportasse como um português e não como um alemão. […] quem é este tipo que nos saiu na rifa?”.

    Entretanto, o sr. silva lá vai tirando da gaveta os seus velhos sermões morigeradores para repor a moral e os bons costumes entre os histriões (ou seja, nós, que não somos sr. silva, e, portanto, vivemos todos à-grande-e-à-francesa, com os nossos bm’s, fundos de investimentos e casas de férias), como aquele de ontem, com o heróico brado pela “austeridade digna”.

    Haja vergonha. Já tinha idade para perceber que dizer isso num país com o salário mínimo deste é uma afronta, sr. silva…

    Many around the world are worried that Europe is about to face a Lehman Brothers moment, a big bankruptcy or sudden default that sets off a new phase of panic in Europe and beyond.

    But these days the problem for Europe may be that it has not had — and may not have — its own Lehman Brothers, at least in the sense that Lehman shocked Americans to take divisive and expensive steps to repair the damage. Instead, it has seen a slow-motion leak of confidence and a steady drain on credibility that has extracted a large and growing toll on stock and bond prices and on the livelihoods of its citizens.

    Nearly two years after the euro crisis began with concerns about the solvency of Greece, fears have spread to big banks and large countries like Spain and Italy and squashed the gradual recovery from the 2008 recession. But Europe still has not had the all-hands emergency response the Bush administration and the United States Federal Reserve were forced to undertake after the collapse of Lehman on Sept. 15, 2008, and it is unclear if even the intensified market turmoil now is enough to prompt one.

    An uncontrolled Greek default or a run on a major European bank could still overturn expectations and compel FranceGermany and the European Central Bankto act with much greater urgency. But for now, political and financial leaders are buying time, putting out fires one by one, like propping up Dexia Bank, and making vague promises, as European officials did Wednesday, about scheduling new meetings to discuss the recapitalization of European banks.

    Ultimately, only the European Central Bank can intervene with the firepower necessary to set a floor under the price of the region’s sovereign debt. But its departing chairman, Jean-Claude Trichet, has ruled out the idea of the bank’s acting as the lender of last resort, even if it only guarantees the bond purchases of another fund, the European Financial Stability Facility.

    There has not yet been a sufficient sense of crisis — no Lehman Brothers moment — that overcomes longstanding European qualms about handing a full range of Fed-style powers to the region’s central bank.

    And residents of richer countries in Europe are not yet unnerved enough to agree to write big checks to Europeans elsewhere whom they accuse of spending themselves into a debt crisis.

    “Greece is small and its problems can easily be contained,” said Sony Kapoor, managing director of Re-Define, an economic consultancy. “But the inability of officials to deal with this successfully over a year and a half inspires little confidence in their ability to deal with much larger troubled countries such as Italy.”

    “The E.C.B. can still stem the panic though a strong intervention,” he continued. “But unless this is done soon, the crisis may spin further out of control.” For now, Europeans leaders are sticking to their talking points.

    Lehman Brothers provided the United States, for good or ill, a moment of reckoning. Europe is still trying desperately to avoid one.

    Steven Erlanger, The New York Times, 05.10.11, sublinhados meus.

     
  • pedrolopesalmeida 01:57 on 04/10/2011 Permalink | Responder  

    olhó robot. é pró menino e prá menina olhó. trabalha muito e gasta pouco olhó. é muito útil pra quem manda olhó. está pronto pra ser programado olhó. 

     
  • pedrolopesalmeida 15:28 on 02/10/2011 Permalink | Responder  

    teoria da procrastinação estruturada. 

    How to Procrastinate and Still Get Things Done

    By John Perry

    I have been intending to write this essay for months. Why am I finally doing it? Because I finally found some uncommitted time? Wrong. I have papers to grade, a grant proposal to review, drafts of dissertations to read.

    I am working on this essay as a way of not doing all of those things. This is the essence of what I call structured procrastination, an amazing strategy I have discovered that converts procrastinators into effective human beings, respected and admired for all that they can accomplish and the good use they make of time.

    All procrastinators put off things they have to do. Structured procrastination is the art of making this bad trait work for you. The key idea is that procrastinating does not mean doing absolutely nothing. Procrastinators seldom do absolutely nothing; they do marginally useful things, such as gardening or sharpening pencils or making a diagram of how they will reorganize their files when they find the time. Why does the procrastinator do these things? Because accomplishing these tasks is a way of not doing something more important.

    If all the procrastinator had left to do was to sharpen some pencils, no force on earth could get him to do it. However, the procrastinator can be motivated to do difficult, timely, and important tasks, as long as these tasks are a way of not doing something more important.

    To make structured procrastination work for you, begin by establishing a hierarchy of the tasks you have to do, in order of importance from the most urgent to the least important. Even though the most-important tasks are on top, you have worthwhile tasks to perform lower on the list. Doing those tasks becomes a way of not doing the things higher on the list. With this sort of appropriate task structure, you can become a useful citizen. Indeed, the procrastinator can even acquire, as I have, a reputation for getting a lot done.

    The most perfect situation for structured procrastination that I have encountered occurred when my wife and I served as resident fellows in Soto House, a Stanford University dormitory. In the evening, faced with papers to grade, lectures to prepare, and committee work to do, I would leave our cottage next to the dorm and go over to the lounge and play Ping-Pong with the residents or talk things over with them in their rooms — or even just sit in the lounge and read the paper. I got a reputation for being a terrific resident fellow, one of the rare profs on campus who spent time with undergraduates and got to know them. What a setup: Play Ping-Pong as a way of not doing more important things, and get a reputation as Mr. Chips.

    Procrastinators often follow exactly the wrong tack. They try to minimize their commitments, assuming that if they have only a few things to do, they will quit procrastinating and get them done. But this approach ignores the basic nature of the procrastinator and destroys his most important source of motivation. The few tasks on his list will be, by definition, the most important. And the only way to avoid doing them will be to do nothing. This is the way to become a couch potato, not an effective human being.

    At this point you may be asking, “How about the important tasks at the top of the list?” Admittedly, they pose a potential problem.

    The second step in the art of structured procrastination is to pick the right sorts of projects for the top of the list. The ideal projects have two characteristics — they seem to have clear deadlines (but really don’t), and they seem awfully important (but really aren’t). Luckily, life abounds with such tasks. At universities, the vast majority of tasks fall into those two categories, and I’m sure the same is true for most other institutions.

    Take, for example, the item at the top of my list right now — finishing an essay for a volume on the philosophy of language. It was supposed to be done 11 months ago. I have accomplished an enormous number of important things as a way of not working on it. A couple of months ago, nagged by guilt, I wrote a letter to the editor saying how sorry I was to be so late and expressing my good intentions to get to work. Writing the letter was, of course, a way of not working on the article. It turned out that I really wasn’t much further behind schedule than anyone else. And how important is this article, anyway? Not so important that at some point something that I view as more important won’t come along. Then I’ll get to work on it.

    Let me describe how I handled a familiar situation last summer. The book-order forms for a class scheduled for fall were overdue by early June. By July, it was easy to consider this an important task with a pressing deadline. (For procrastinators, deadlines start to press a week or two after they pass.) I got almost daily reminders from the department secretary; students sometimes asked me what we would be reading; and the unfilled order form sat right in the middle of my desk for weeks. This task was near the top of my list; it bothered me — and motivated me to do other useful, but superficially less important, things. In fact, I knew that the bookstore was already plenty busy with forms filed by non-procrastinators. I knew that I could submit mine in midsummer and things would be fine. I just needed to order popular books from efficient publishers. I accepted another, apparently more important, task in early August, and my psyche finally felt comfortable about filling out the order form as a way of not doing this new task.

    At this point, the observant reader may feel that structured procrastination requires a certain amount of self-deception, since one is, in effect, constantly perpetrating a pyramid scheme on oneself. Exactly. One needs to be able to recognize and commit oneself to tasks with inflated importance and unreal deadlines, while making oneself feel that they are important and urgent. This clears the way to accomplish several apparently less urgent, but eminently achievable, tasks. And virtually all procrastinators also have excellent skills at self-deception — so what could be more noble than using one character flaw to offset the effects of another?

    John Perry is a professor of philosophy at Stanford University.

    via The Chronicle of Higher Education.

     
  • pedrolopesalmeida 11:59 on 01/10/2011 Permalink | Responder  

    notícia de última hora. 

    avançada pela redacção do i:

    Cultura: Cinema e Literatura mantêm relações “tensas”, diz especialista norte-americano

    com base numa nota emitida pela Lusa.

     

    Ponta Delgada, 29 set (Lusa) — O investigador norte-americano James Naremore reconheceu hoje, em Ponta Delgada, nos Açores, que persistem “tensões” na relação entre literatura e cinema, sustentando que a era da “reprodução mecânica e da comunicação eletrónica” impõe uma nova abordagem da questão.

     
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