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  • pedrolopesalmeida 00:00 on 06/01/2012 Permalink | Responder  

    fim da época balnear. 

    piscina com cadáver dentro

    Julho de 2011  –  Janeiro de 2012

     

     

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  • pedrolopesalmeida 16:05 on 05/01/2012 Permalink | Responder  

    “O excesso de informação provoca amnésia” 

    PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele está escrevendo sua autobiografia intelectual (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)

    […]

    ÉPOCA: […] o senhor ainda vê a internet como um perigo para o saber?
    Eco –
     A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.

    ÉPOCA – Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?
    Eco –
     Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.

    ÉPOCA – Há uma solução para o problema do excesso de informação?
    Eco –
     Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.

    Entrevista de Umberto Eco à revista Época, 30.12.2011, disponível aqui.

    (Esta foi a última entrada do piscinacomcadáverdentro. Nesta última resposta, Umberto Eco converge com os motivos que me levaram a criar este espaço, e, quase paradoxalmente, sugere ainda o motivo que, já há algum tempo, me levou a decidir que estava terminada a missão que o justificou. A quem foi passando por aqui, o meu muito obrigado pela visita.)

     
    • Cíntia 15:56 on 20/02/2012 Permalink | Responder

      Parabéns pelo Blog, caríssimo amigo! :) É mesmo muito interessante observar o seu recorte daquilo a que você teve acesso durante o tempo de funcionamento do seu Blog. Um grande abraço cheio de saudades! Cíntia

  • pedrolopesalmeida 16:00 on 05/01/2012 Permalink | Responder  

    Johannes Brahams, Intermezzo op. 117 n. 1, interpretado por Wilhelm Kempff, gravação de 1950.

     
  • pedrolopesalmeida 15:50 on 05/01/2012 Permalink | Responder  

    Títiro, à sombra de copada faia / tentas ária silvestre em frauta amena, / nós a pátria deixamos, os mimosos / campos da pátria, e tu, bem descansado, / o nome ao bosque ensinas de Amarílis. 

    Great pianists often gravitate to chamber music in their maturity, as though the satisfactions of communal music-making finally outweigh the thrills of solo achievement.

    This is how Wilhelm Backhaus and Claudio Arrau rounded off their careers, and how Martha Argerich is gracefully doing today. Maria Joao Pires is still going full blast as a soloist – she’s one of the few pianists capable of packing out the Royal Albert Hall – but she too is increasingly turning to chamber music, in addition to the unique form of tuition she has developed at her arts centre in the wilds of rural Portugal.

    Pires was undoubtedly the reason why the Wigmore was sold out for her concert with cellist Antonio Meneses, but this was always going to be a landmark event, since Deutsche Grammophon were making a live recording: typical that she should choose this intimate venue rather than a big hall or an antiseptic studio, and typical, too, that she should replace the Wigmore’s dark-toned Steinway with a brighter-sounding Yamaha.

    The Independent, 4 January 2012.

     
  • pedrolopesalmeida 15:25 on 05/01/2012 Permalink | Responder  

    fogo posto. 

    “A FCT é o braço executivo do Ministério [da Ciência] e tem tido uma importância extraordinária na definição e execução de políticas na ciência e no financiamento. Por que aceitei este cargo, sendo um cientista ainda muito activo? A resposta é simples: é o momento na vida do nosso país em que todos temos de dar um contributo. Podemos fazer muito sem expectativas de aumentar o orçamento. Com o mesmo dinheiro ou com razoável dinheiro, há imenso a fazer”, referiu no discurso Miguel Seabra, que vai chegar à FCT com um orçamento para 2012 de 394,5 milhões de euros (281,4 dos quais são a parte portuguesa e o restante inclui dinheiro comunitário), o que é um corte de 42 milhões face a 2011 e menos 40 por cento do proposto para 2009, então com 654,1 milhões. Este ano, a ciência terá o orçamento mais baixo dos últimos seis anos, pois é preciso recuar até 2006, com 325,4 milhões de euros, para encontrar menos dinheiro do que em 2012.

    Público, 4.01.2012

     
  • pedrolopesalmeida 18:29 on 04/01/2012 Permalink | Responder  

    Carnage. 

     

     

    Carnage, Roman Polansky, 2011, a partir do texto de Yasmina Reza.

     

    O Deus da Carnificina aparece, em quase todo o lado, classificado como “Comedia/Drama”. Creio que o grande desafio que a mais recente obra de Polansky coloca ao espectador é relacionar-se com os protocolos de leitura de um filme, nos termos em que nos habituámos a falar de géneros cinematográficos. A linha de tensão que atravessa os não muitos minutos da “Comedia/Drama” puxa (pel)o nervo a ponto de nos deixar sem saber bem se estamos a achar graça ao que vemos ou se estamos a comprimir os dentes pelo excesso de violência que repousa em cada gesto, violência radicalizada na potência das convenções quotidianas. É bom ver um filme assim, que nos deixa sem saber bem o que pensar, entre a adesão e a repulsa, numa dialéctica que conduz, a contragosto, a uma identificação como ferida narcísica. E é cada vez mais raro isso acontecer.

     
  • pedrolopesalmeida 18:03 on 02/01/2012 Permalink | Responder  

    a máquina de fazer artigos & comunicações. 

    Com direito a uma página na Desciclopédia, o Lero-lero é um programa online de produção aleatória de texto, a partir de uma matriz de base e recorrendo a um corpus lexical previamente definido. O gerador de texto, cujos resultados, segundo eu próprio já verifiquei diversas vezes, podem ser altamente convincentes, destina-se, de acordo com os responsáveis, a desmontar a lógica de produção de conhecimento no sistema contemporâneo de reprodução de dados: uma vez validado pela retórica do cientificismo discursivo, aquilo que está a ser dito pouco importa, desde que seja dito da forma adequada (“rigorosa”), isto é, desde que seja dito no estilo que se espera que seja dito. O Lero-lero é capaz de gerar um volume virtualmente infinito de texto, de acordo com regras de encadeamento discursivo, lançando mão de um vasto arsenal de lugares comuns que são o vade mecum de qualquer prolífico fazedor de comunicações, e, debitando séries de frases mais ou menos sonantes, articular um discurso capaz de convencer qualquer auditório sedento de uma prosa algidamente tecnicista, polvilhada com a metalinguagem corrente do academismo vulgarizado. E é, a meu ver, um genial exercício de desconstrução dos dispositivos de validação e legitimação de conhecimento.

    Não sei se faz parte do léxico de base a palavra “excelência”. Mas atendendo à quantidade de atrocidades que têm sido cometidas em nome da termitologia que lhe dá corpo, deveria ser-lhe reservado um lugar de destaque neste programa.

    Aqui fica o original: “O Fabuloso Gerador de Lero-lero v2.0”, que, na apresentação, se afirma  “capaz de gerar qualquer quantidade de texto vazio e prolixo, ideal para engrossar uma tese de mestrado, impressionar seu chefe ou preparar discursos capazes de curar a insônia da platéia. Basta informar um título pomposo qualquer […] e a quantidade de frases desejada. Voilá! Em dois nano-segundos você terá um texto – ou mesmo um livro inteiro – pronto para impressão.”

    E, aqui, uma réplica-homenagem, com um interface aprimorado:  o Lero-lero da ovelhinha, em cujo about pode ler-se: “Este site é um projeto acadêmico desenvolvido por Felippe Nardi e Juan Pujol, junto com a participação de João Matheus tendo em vista a viabilidade momentânea de uma atuação de vias diversificadas para o aproveitamento de tendências no sentido de auxiliar a propagação de conhecimentos antropognósticos. Ou como minha mãe diria, inúteis.” É isso mesmo. Portanto, brilhante.

    Ou ainda o “Lero-Lero Filosófico” (a meu ver, o mais bem conseguido, aliás), que define de modo muito revelador e ilustrativo as suas intenções: Este hipertexto, isto é, matriz de textos potencializados em um duplo-devir virtualizante, visa proporcionar uma combinatória proto-semântica de um discurso proposicional a partir de um universo de possíveis. Sua instauração epistemológica é traçada a posteriori pela necessidade de construir-se um conhecimento teórico escamoteado em uma base glossofônica da interioridade da razão, em conssonância com a textualidade apofântica sinteticamente determinável em sua exterioridade do Ser.” Nem mais.

    Se dúvidas houver ainda, o Lero-lero Filosófico acrescenta: “Este simulacro individualizante é uma homenagem ao Gerador de Lero-Lero e é uma sátira do discurso hermético pós-moderno, essencialmente, da filosofia continental francesa contemporânea.” Sim. Mas não só, acrescentaria eu.

    Addenda: Obrigado ao Tiago Teles pelo envio!

     
  • pedrolopesalmeida 16:30 on 30/12/2011 Permalink | Responder  

    never say no to panda. 

     
  • pedrolopesalmeida 16:27 on 30/12/2011 Permalink | Responder  

    naked chess. 

     

    Julian Wasser, Passadena Art Museum, 1963

    [na foto: Marcel Duchamp e Eve Babitz, mais sobre esta imagem aqui]

    *

    Naked Chess, performance pela artista Jennifer Shahade, com Jason Bretz, baseada na fotografia de Duchamp. Algumas considerações bastante interessantes sobre o jogo, aqui (como a segurança que dá ter a certeza de que o adversário não tem no bolso nenhum aparelho electrónico para calcular jogadas. Falta referir as assinaláveis semelhanças, incidentais, com o pensador de Rodin, como fica claro nos stills abaixo):

    *

    Jennifer Shahade give a naked chess exhibition

    fotografia de Nadja Voorham e Bas Beekhuizen. Performance de Jennifer Shahade durante o Euwe Memorial Tournament 2011, em Amsterdão, no De Kring, célebre pelos artistas e xadrezistas que o frequentaram. Dezembro de 2011.

    Mais, aqui, e aqui.

    P.S.: e, para acabar, aqui fica um ensaio em forma de fotomontagem sobre um jogo impossível:

    “Marcel Duchamp and Mariah Carey play chess”, pelo colectivo Wreck and Salvage, aqui.

     
  • pedrolopesalmeida 15:27 on 30/12/2011 Permalink | Responder  

    ler os outros. 

    A gestão de coisas, o regresso ao passado

    Artigo de opinião de António Caldeira, membro do Grupo de Trabalho do PAN sobre Justiça Social, publicado a 23 de Dezembro aqui, no site do PAN.

    Até há pouco tempo, o Ocidente orgulhava-se de ser um espaço de liberdade, de defesa dos direitos humanos e de direito ao trabalho com dignidade, com regras mínimas de salvaguarda dos trabalhadores dependentes. No caso português, em resultado da revolução do 25 de Abril, constituiu-se um edifício jurídico de direito do trabalho com muitas garantias de defesa dos trabalhadores assalariados.

    Com a abertura do mercado ao exterior e efeitos da concorrência decorrente da globalização, este foi merecendo, por parte do patronato, duras críticas por limitações à flexibilidade laboral e à capacidade de pressão sobre trabalhadores menos produtivos.

    Assistiu-se, por isso, e não só, ao longo dos últimos anos, a uma progressiva perda de direitos, que culmina agora, à boleia da crise económica, no aumento do horário de trabalho e na redução abrupta das indemnizações por despedimento sem justa causa. A história do Direito do Trabalho não foi feita apenas de confrontos entre patronato e assalariados. Foi também feita de muitas experiências na organização do trabalho e muitas e variadas investigações em motivação e comportamento psicossocial. Ficou demonstrado que o tratamento desumanizado e mecanicista do ser humano leva, a prazo, a efeitos nefastos de variada ordem: na saúde, nos acidentes de trabalho, na conflitualidade, nas faltas, na qualidade, na criatividade e em muitos outros aspectos por vezes menos claros como suicídios, consumo de álcool e outras drogas, abuso de psicofármacos, desestruturação familiar, etc. Pelo contrário, a segurança psicológica, a humanização e a melhoria das condições de trabalho demonstrou a existência de um retorno positivo dos investimentos nessa área, levando a que os trabalhadores passassem a ser encarados como recursos passíveis de serem potenciados, através da gestão de variáveis psicossociais, com forte impacte na produtividade e na qualidade, muito para lá da gestão simplista e legalista dos ritmos e tempos de trabalho e das remunerações próprios dos primórdios do século XX.

    […]

    Estamos assim perante um retrocesso civilizacional, deitando-se às urtigas anos de experiência e investigação. Os trabalhadores assalariados passarão novamente a ser encarados como peças orgânicas de máquina, controlados com a ameaça subliminar do desemprego e, com mais ou menos dinheiro, descartáveis a qualquer momento. Simples coisas.

    Já Agostinho da Silva afirmava que só há desempregados quando há emprego. Se não há emprego, não se podem chamar desempregados àqueles que não encontram ocupação, no sentido em que a sociedade humana, à medida que aumenta a capacidade de produção, tende naturalmente a ter menos necessidade do factor trabalho, o que, como consequência, deveria conduzir à possibilidade de aumento do tempo livre para todos. Tal requereria outra forma de organização social e económica que possibilitasse a todas as pessoas participarem no esforço produtivo, tendo emprego, e a criação de outras formas criativas de ocupação dos tempo livres. Ora o aumento da capacidade produtiva tem servido a acumulação selvagem de capital, atirando milhões de pessoas para o dito “desemprego” porque o sistema não necessita delas, em vez de se traduzir em menores horários de trabalho para todos. Vivemos ainda num sistema de produção e acumulação para alguns, quando devíamos passar para um sistema de produção sustentada e distribuição com equidade para todos. Somos peças de uma grande máquina devoradora dos recursos do planeta que só consegue dar emprego a todos na medida em que aumente a sua capacidade destrutiva e poluidora.

    A actual decisão governamental vai ao arrepio do sentido do avanço civilizacional, terá consequências altamente nefastas para quem está empregado e, naturalmente, levará ainda a mais escassez de emprego. Ao contrário do que o governo pensa, os danos que causará não serão recuperados por aumento da actividade económica. A estratégia que lhe dá suporte é errada, primária e altamente nefasta por esgotar energia motivacional.

    Há princípios e valores que não são negociáveis. A dignidade humana não tem preço nem deveria estar ao sabor de interesses parciais.

     
  • pedrolopesalmeida 22:37 on 26/12/2011 Permalink | Responder  

    explicação da literatura. 

    Da exploração da classe operária, das massas trabalhadoras, dos povos subjugados – exploração imposta pela violência do aparelho do Estado, pela repressão, o terror e a guerra – resultam os sentimentos e o comportamento moral da burguesia: individualismo e egoísmo ferozes, indiferença pela sorte dos seres humanos, rapacidade, venalidade, completa falta de escrúpulos, redução a simples mercadorias dos valores culturais e espirituais. Com o aprofundamento da crise geral do capitalismo, a burguesia tende a abandonar quaisquer regras éticas e a tornar-se cada vez mais amoral. Sem preocupações morais, legitima ela própria tudo quanto lhe permite manter e intensificar a exploração dos trabalhadores e dos povos.

    «A superioridade moral dos comunistas», Álvaro Cunhal, artigo publicado na revista Problemas da Paz e do Socialismo, n.º 1, Janeiro de 1974 (editado em opúsculo pela Editorial «Avante!» em Outubro do mesmo ano).

     
  • pedrolopesalmeida 22:13 on 26/12/2011 Permalink | Responder  

    o original é sempre melhor. 

    ARTIGO 2.º

    (Estado democrático e transição para o socialismo)

    A República Portuguesa é um Estado democrático, baseado na soberania popular, no respeito e na garantia dos direitos e liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização política democrática, que tem por objectivo assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras.

    Constituição da República Portuguesa, aprovada a 2 de Abril de 1976.

     
  • pedrolopesalmeida 18:32 on 23/12/2011 Permalink | Responder  

    Afinal as tais “gorduras” somos nós. 

    Nós, as “gorduras”, por Manuel António Pina

    Publicado em 2011-12-20, aqui, no DN.

    Primeiro foram os jovens desempregados a receber do secretário de Estado da Juventude guia de marcha para fora de Portugal; agora coube a vez aos professores, pela voz do próprio primeiro-ministro.

    No caso dos professores, a coisa passa-se assim: o ministro Crato varre-os das escolas; depois, Passos Coelho aponta-lhes a porta de saída do país: emigrem, porque Angola e Brasil “têm uma grande necessidade (…) de mão-de-obra qualificada”. Portugal (que é um dos países da Europa com mais baixos níveis de escolarização, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, divulgado no mês passado pelo PNUD) não tem, como se sabe, necessidade de mão-de-obra qualificada.

    E, como muito menos tem necessidade de mão-de-obra “desqualificada”, ninguém se surpreenda se um dia destes vir o secretário de Estado do Emprego e o novo presidente do Instituto do Emprego e Formação (?) Profissional a mandar embora quem tiver como habilitações só o ensino básico; o ministro da Segurança Social a pôr na rua pensionistas e idosos (para que precisa Portugal de pensionistas e idosos, que apenas dão despesa?); o ministro da Saúde a dizer aos doentes que vão morrer longe, em países sem listas de espera e com taxas moderadoras em conta; o da Defesa a aconselhar os militares a desertar e ir para sítios onde haja guerras; e por aí adiante…

    Percebe-se finalmente o que são as tais “gorduras do Estado”: são os portugueses.

    P.S.: Aproveito para desejar, daqui, um Feliz Natal a todas as gordurinhas que por cá passarem.

     
  • pedrolopesalmeida 20:53 on 19/12/2011 Permalink | Responder  

    escrito na pedra. 

    Seja qual for a ideia que se exprime no espaço público, é a mentira da miséria que redige o texto. Todos os discursos estão submetidos à lei que consiste em retroverter para o jargão da miséria o luxo chegado ao poder.

     

    Peter Sloterdijk, Écumes, Maren Sell éditeurs, Paris, 2005, p. 5.

     

     

     
  • pedrolopesalmeida 20:48 on 19/12/2011 Permalink | Responder  

    não, eu não quero acreditar 

    que ele está, de facto, a repetir as palavras dela, a partir de 0:53 e de 1:05.

    Não temos um PR “tão bom quanto possível”. Nem sequer temos o Presidente possível. Temos na presidência um político neo-liberal que levou mais longe do que nunca um capitalismo selvático e totalmente desregulado, que impôs as bases de uma cultura da destruição do Estado como forma de angariação de protagonismo político, que fomentou cisões internas, que instaurou ódios mútuos entre aqueles que mais prejudicou, que deu as machadadas finais no sistema produtivo nacional, que negociou os subsídios para suspender a exploração agrícola e para abater a frota pesqueira, que acabou com a Universidade Pública nos termos constitucionais, e, ainda por cima, acusa agora estes preocupantes sintomas de senilidade. Temos um presidente da república bem abaixo das nossas possibilidades. O que é que nos falta agora?

     
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