Carnage.

 

 

Carnage, Roman Polansky, 2011, a partir do texto de Yasmina Reza.

 

O Deus da Carnificina aparece, em quase todo o lado, classificado como “Comedia/Drama”. Creio que o grande desafio que a mais recente obra de Polansky coloca ao espectador é relacionar-se com os protocolos de leitura de um filme, nos termos em que nos habituámos a falar de géneros cinematográficos. A linha de tensão que atravessa os não muitos minutos da “Comedia/Drama” puxa (pel)o nervo a ponto de nos deixar sem saber bem se estamos a achar graça ao que vemos ou se estamos a comprimir os dentes pelo excesso de violência que repousa em cada gesto, violência radicalizada na potência das convenções quotidianas. É bom ver um filme assim, que nos deixa sem saber bem o que pensar, entre a adesão e a repulsa, numa dialéctica que conduz, a contragosto, a uma identificação como ferida narcísica. E é cada vez mais raro isso acontecer.

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