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  • pedrolopesalmeida 20:32 on 19/12/2011 Permalink | Responder  

    virtualidades (demasiado) reais. 

    Designers portugueses criam nova visão para o futuro dos protestos populares

    07 de December de 2011

    Os designers portugueses Tiago Barros e Ana Cravinho estão a apresentar o projecto Digital Revolution, que promete, tal como o próprio nome indica, revolucionar a forma como as pessoas vão protestar, ordeiramente, no futuro.

    O projecto procura “uma nova visão para o futuro dos protestos em todo o mundo”, reconhecendo que estas acções são “essenciais e um método altamente importante para as pessoas demonstrarem as suas opiniões”.

    Tendo como base a utilização da internet, o Digital Revolution reconhece as limitações dos protestos populares, ao nível do número de pessoas, condições ou perigo de a situação ficar fora de controlo.

    Assim, o projecto propõe uma mudança de paradigma para estas acções, possível através de um interface visual para todos os que queiram juntar-se a uma causa específica, qualquer que seja a sua localização física. Um holograma em 3D de cada participante poderá ser projectado numa praça específica, num número infinito. Ou seja, toda a população mundial poderá reunir-se para uma causa através de uma simples ligação online. Todos podem estar na Praça Tahrir, no Cairo, Egipto, ou no Occupy Wall Street.

    “Num mundo dominado pelo individualismo contagiante, onde o digital e as redes sociais são considerados o quinto poder, e onde as demonstrações públicas são inseguras e restritas, é tempo de agir. O Digital Revolution é uma ferramenta poderosa, capaz de unir um jovem indiano a um idoso do Alaska”, explicaram os designers ao Green Savers.

    Neste contexto, os protestantes podem estar em casa, em segurança, e monitorizar as estatísticas em tempo real, notícias e outros dados. E podem estar, simultaneamente, a elaborar manifestos, escrever em blogs, enviar email ou partilhar histórias com toda a população mundial.

    […]

    aqui.

    Príncipe saudita investe 300 milhões de dólares no Twitter

    19.12.2011 – 13:13 Por Alexandre Martins

    É usado regularmente por mais de 100 milhões de pessoas, teve um papel importante nas revoluções na Tunísia e no Egipto, juntamente com o Facebook, mas ainda está longe de ganhar dinheiro a sério. Apesar de tudo, não faltam investidores: o príncipe saudita Alwaleed bin Talal, o homem mais rico do mundo árabe, segundo a revista “Arabian Business”, e o 26º na lista da revista “Forbes”, é o mais recente accionista da rede social e plataforma demicroblogging Twitter, com um investimento de 300 milhões de dólares (230 milhões de euros).

    Não foram divulgados pormenores sobre esta operação financeira, mas os 300 milhões do príncipe saudita representam três por cento dos oito mil milhões de dólares (seis mil milhões de euros) com que a empresa foi avaliada no Verão passado por um conjunto de empresas liderado pela russa DST Global.

    “As redes sociais vão modificar o panorama da indústria dos media nos próximos anos. O Twitter vai captar e rentabilizar financeiramente esta tendência positiva”, justificou Ahmed Halawani, director executivo do departamento de investimentos internacionais da Kingdom Holding Company, citado pelo site de informação financeira MarketWatch.

    Sobrinho do rei da Arábia Saudita, Alwaleed bin Talal tem aumentado a sua fortuna com investimentos nas áreas dos media e do entretenimento. Principal accionista da Kingdon Holding Company – que detém uma parte importante da financeira Citigroup –, o príncipe Bin Talal controla parte de empresas como a Apple e é o segundo maior accionista da gigante News Corp. de Ruppert Murdoch (“The Times”, “The Wall Street Journal”, “The Sun”, “The New York Post”, 20th Century Fox, Fox Broadcasting Company, entre outros).

    […]

    Apesar da sua influência nas revoluções da chamada Primavera Árabe, a notícia que gerou mais “tweets” por segundo foi a da gravidez da cantora Beyoncé: durante a gala MTV Music Awards, em Agosto deste ano, o anúncio fez disparar quase nove mil mensagens por segundo. Mas o Twitter também mostrou que pode ser um meio importante de solidariedade: o “tweet” que mais circulou entre os utilizadores em 2011 foi publicado pela cadeia norte-americana de “fast food” Wendy’s, que dessa forma entregou mais de 50 mil dólares a associações de famílias de acolhimento.

    aqui.

    Obrigado ao Jorge, pela música do outro (Seu) Jorge.

     
  • pedrolopesalmeida 15:47 on 11/12/2011 Permalink | Responder  

    crise, desigualdade e exploração. inevitabilidades premeditadas, ou o crime afinal compensa. 

     

     

    Na conferência TED onde era convidado, e que postei aqui, Richard Wilkinson demonstra com bastante rigor como não é o aumento da produtividade, nem, consequentemente, o da competitividade, o factor responsável pela melhoria das condições de vida das sociedades ocidentais, medidos em critérios básicos como educação, saúde, emprego, acesso a bens culturais, mobilidade, etc., mas sim, de modo transversal, a eficácia da distribuição da riqueza. Assim, de acordo com os estudos realizados pelo investigador e professor emérito da Nottingham University, os índices de satisfação e qualidade de vida de um país não estão ligados por nenhuma relação de proporcionalidade à competitividade da sua economia, mas, por outro lado, aumentam à medida a que as desigualdades sociais se esbatem, e diminuem na medida em que se aprofunda o fosso social. Nos países onde se regista uma maior diferença entre os 20% do topo e os 20% da base social, a qualidade de vida tende a diminuir, e todos os indicadores de crescimento se retraem.

    No começo da semana, a OCDE divulgou os resultados do relatório “Divided We Stand: Why Inequality Keeps Rising”. De acordo com o estudo,  “o fosso entre ricos e pobres atingiu o nível mais elevado dos últimos 30 anos”, e “Portugal continua a ser um dos países mais desiguais do mundo desenvolvido, com um fosso acentuado na distribuição dos rendimentos, e o mais desigual entre as economias europeias”,  “em que os 20 por cento mais ricos têm rendimentos seis vezes superiores(6,1) aos dos 20 por cento mais pobres, revela a OCDE”. E isto explica muita coisa. Ajuda a perceber, nomeadamente, por que motivo o aumento acéfalo da carga horária laboral não vai contribuir em nada para o desenvolvimento social e económico do país, mas vai servir para intensificar a acumulação de capital nos 20% do topo da pirâmide social, com um roubo total de cerca de 20 dias de trabalho anuais não remunerados. Permite identificar uma nítida bipolarização social, com o desaparecimento económico das classes médias e a migração para um modelo laboral característico das zonas geográficas subdesenvolvidas. E permite tomar consciência de que o tão difamado “Estado social”, contra quem os governos europeus dirigem concertadamente as suas acções, é, hoje, o mais importante instrumento na distribuição eficaz de riqueza e mitigação do fosso social: “Ainda em relação a Portugal, o estudo demonstra que se trata de um dos países onde as transferências em dinheiro e em prestação de serviços públicos, como a educação e a saúde, revelam maior capacidade de atenuar o hiato entre os mais pobres e os mais ricos, com reduções superiores a 35 por cento, dez pontos percentuais acima da média do resultado médio das políticas sociais na OCDE”. Como diria a Alberta Marques Fernandes, contra factos, não há argumentos.

    Nos videos acima, retirados do canal do youtube do The Story of Stuff Project, fica feito um diagnóstico irrepreensível das grandes linhas políticas que nos conduziam a este momento. Vale, definitivamente, a pena assistir a The Story of Stuff e a The Story of Broke. É do tipo de coisas que deviam começar a passar nas escolas.

     
  • pedrolopesalmeida 15:14 on 11/12/2011 Permalink | Responder  

    a questão da culpa europeia. 

    “Em «O pequeno livro do grande terramoto», Rui Tavares descreve a forma como o moralismo religioso justificou a hecatombe que se abateu sobre Lisboa em 1755. As ondas dotsunami, o estremecer das entranhas da terra e os incêndios que devoraram a cidade não eram mais do que a expressão da justiça divina, que desse modo castigava o alastrar do pecado e do vício.

    Poderá hoje dizer-se que esta explicação metafísica nasceu da incapacidade para compreender as causas de uma catástrofe natural (a teoria da tectónica de placas surgiria, de facto, apenas cerca de um século mais tarde). O insuportável vazio foi ocupado pelo obscurantismo, que a ausência de explicações alternativas, racionais, legitimou.Um terramoto abala hoje a Europa e (de uma forma que até há muito pouco tempo diríamos não ser possível) os seus alicerces mais sólidos. Para os tecnocratas moralistas, a crise que a União atravessa não é senão a consequência do vício do endividamento, em que incorreram Estados irresponsáveis. Por isso se impõe penitência e disciplina. Por isso os incumpridores devem ser obrigados a abdicar da sua soberania e da própria democracia.

    O futuro olhará para estes dias negros com a mesma 

    perplexidade e estranheza com que hoje se encara a explicação moralista do terramoto de 1755. [… ]”

    Nuno Serra, no Ladrões de Bicicletas, 10.12.2011

     
  • pedrolopesalmeida 01:07 on 09/12/2011 Permalink | Responder  

    “provocadores em funções de defesa pública”? 

    depois da torrente de evidências de que estamos, de facto, a um passo da lei marcial, aqui no 5dias e aqui no portugal uncut, de uma crónica onde Manuel António Pina alude à possibilidade de, no dia 24 de Novembro, a psp ter “feito o mal e a caramunha”, e de apelos vindos de todos aqueles que não conseguem pactuar com a hipocrisia que só serve para legitimar o injustificável, o director nacional da psp admitiu que “polícias à civil se integraram como manifestantes e provocadores em funções de defesa pública na própria manifestação”. o miguel macedo, na quarta-feira, na tvi, fez o que este governo sabe fazer melhor: engonhar, falar sem dizer nada.

    fica uma pergunta: onde terão recebido os agentes provocadores infiltrados a formação para o exercício das funções de insultadores? palavra de honra que gostava de conhecer o tipo que lhes terá dito “vais lá para a frente, abanas o gradeamento e chamas fascistas aos colegas, que está feito”. é que se querem uma coisa como deve ser, não lhes tinha custado nada irem a uma manifestação de um primeiro de maio, e aprendiam como é que se fazem as coisas. para alguém acreditar que é verosímil fazer aquelas figuras tristes, de calções e óculos de sol, ou anda a ver demasiados filmes ou sofre de severos problemas mentais. creio os dirigentes policiais por detrás deste esquema e o MAI se revêem em ambas as patologias.

    é triste. se eles rompem as regras de convivência democrática, a título de “provocadores”, o que estão à espera que agora se siga?

    P.S.: valha-nos nosso senhor jesus cristo.

     
  • pedrolopesalmeida 18:02 on 04/12/2011 Permalink | Responder  

    o pecado mora ao lado. 

    © REUTERS/Mikhail Voskresensky, aqui.

     
  • pedrolopesalmeida 01:00 on 02/12/2011 Permalink | Responder  

    revista de imprensa. 

    Estado de excepción económica permanente

    «El País», José María Ridao, 26/11/2011, aqui.

    ¿Expertos o políticos? – No solo alarma que se impongan Gobiernos técnócratas, sino que todos los Ejecutivos actúen como tales

    En Los orígenes del totalitarismo, Hannah Arendt consideró como “desesperados intentos de escapar a la responsabilidad” las múltiples ideologías que, desde mediados del siglo XIX, pretendieron encarnar “las claves de la Historia”. El fantasma del comunismo recorriendo Europa, como después lo harían los del fascismo y el nazismo, eran la referencia implícita en la expresión “múltiples ideologías” que utiliza Arendt. Desmoronado el comunismo y derrotados militarmente el fascismo y el nazismo, se podría pensar que Europa estaba, por fin, libre de fantasmas. Y, sin embargo, durante las últimas semanas uno nuevo habría empezado a recorrerla a consecuencia de la crisis del euro y de la deuda soberana. Primero en Grecia y después en Italia, el fantasma de la tecnocracia ha hecho su aparición. El Gobierno de ambos países, cuya gestión económica ha fracasado, se ha visto desplazado por equipos de especialistas que han contado con el voto mayoritario de los respectivos parlamentos.

    La fórmula, de apariencia novedosa, evoca a través de inquietantes semejanzas una constelación de respuestas a las situaciones de crisis conocidas y experimentadas desde los tiempos más remotos. En la Roma clásica, el Senado contaba entre sus atribuciones la de nombrar a un dictador para hacer frente a dificultades extraordinarias, como era el caso de la guerra. Se entendía como una medida de excepción vinculada a la situación que debía resolver la dictadura, tras la que el propio sistema político preveía el regreso a la normalidad. Los puntos débiles de este mecanismo tenían que ver no solo con la naturaleza del poder, que entonces y ahora tiende a perpetuarse, sino con la determinación del momento en el que debían considerarse superadas las dificultades extraordinarias y en el que, por tanto, debía cesar la dictadura. En teoría, la determinación de ese momento correspondía al Senado. En la práctica, el dictador disponía de no pocos recursos para hacer que las dificultades extraordinarias se prolongasen y para que, ateniéndose a la lógica estricta del mecanismo, también se prolongase su mandato.

    Carl Schmitt tuvo presente el ejemplo de la dictadura romana para elaborar una de sus más controvertidas tesis jurídicas, con la que el ascenso de Hitler se justificaba como estricta aplicación de la Constitución de Weimar. El dictador clásico, lo mismo que el moderno, tenía en su mano prolongar las dificultades extraordinarias por el simple procedimiento de crear otras nuevas, que presentaba como inevitable solución de las que habían aconsejado su nombramiento. Para poner fin a una guerra, el dictador sostenía que era necesario emprender una segunda que acabase de una vez por todas con la amenaza, lo que obligaba a mantener la dictadura. Y, puesto que acabar con esta segunda guerra podía exigir emprender una tercera, y así indefinidamente, el resultado es que el que destila una experiencia larga de siglos: guerra y dictadura son dos caras de la misma moneda. Hacia el interior la dictadura se justifica por la guerra y, hacia el exterior, la guerra se emprende para justificar la dictadura. Sobre este bucle, que puede establecerse partiendo de la guerra pero también de cualquier otra amenaza, sea el terrorismo o una profunda crisis económica, Carl Schmitt construyó la doctrina del estado de excepción permanente, un sumidero por el que la democracia se precipita voluntariamente en la dictadura.

    […]

    Aunque cargado de menos dramatismo, el argumento sigue siendo válido si, en lugar de una guerra, las dificultades extraordinarias que toma en consideración un parlamento para conceder el poder a un Gobierno de excepción son económicas. Si el Gobierno de excepción fracasa contra la crisis, es el régimen democrático el que fracasa. Pero si logra resolverla, la legitimidad democrática puede convertirse a partir de ese momento en un prejuicio de puristas, en un ensueño benéfico que no resiste el contraste con la realidad y al que conviene renunciar en nombre del pragmatismo o del sentido común. Es precisamente eso, el pragmatismo, el sentido común, o por mejor decir, el espejismo del pragmatismo, del sentido común, lo que ha hecho de la República gobernada por los filósofos, por la aristocracia de los sabios, una tentación irresistible desde los tiempos de Platón, a la que en España sucumbió Ortega lo mismo que, en Italia, Mosca y Pareto. Como también han sucumbido, en fechas más recientes, quienes trataron de justificar algunas dictaduras latinoamericanas, como la de Augusto Pinochet en Chile, por los éxitos económicos alcanzados bajo la influencia de los académicos de la Escuela de Chicago.

    Sabios de la guerra en el pasado o sabios de la economía en el presente, sabios, en fin, de cualquier sabiduría, cuyas decisiones no están inspiradas por el objetivo de arbitrar intereses diferentes y legítimos, que es el sentido último de la política democrática, sino por un saber, por una ciencia que solo obedece a sus propias leyes y para la que la realidad, incluida la realidad social, compuesta por individuos libres, no pasa de ser un simple campo de experimentación. Si el saber, si la ciencia que aplican los Gobiernos de excepción, los sabios de cualquier sabiduría que gobiernan la República de Platón, exige esfuerzos sobrehumanos, si justifica un sufrimiento que haría retroceder de espanto a cualquier dirigente democrático, la responsabilidad no es de esos Gobiernos, no es de esos sabios, sino del saber, de la ciencia que aplican. Cuando, en Los orígenes del totalitarismo, Hannah Arendt considera como “desesperados intentos de escapar a la responsabilidad” las múltiples ideologías que, desde mediados del siglo XIX, pretendieron encarnar “las claves de la Historia”, ¿a qué se estaba refiriendo sino a esos Gobiernos cuyas decisiones no están inspiradas por el objetivo de arbitrar intereses sociales diferentes y legítimos, sino por un saber, por una ciencia que solo obedece a sus propias leyes?

    Lucas Papademus en Grecia, y Mario Monti en Italia, pueden tener, como sin duda tienen, intachables credenciales democráticas. Pero no es seguro que ni siquiera dos dirigentes con esas credenciales estén en condiciones de garantizar que el procedimiento que les ha aupado al Gobierno no acabe desencadenando el bucle que conduce al estado de excepción permanente que teorizó Carl Schmitt; en este caso, a un estado de excepción económica permanente. Porque, si se demoran los resultados de las medidas contra la crisis inspiradas por su saber, por su ciencia, las dificultades extraordinarias por las que ahora los han investido los respectivos parlamentos serán aún más extraordinarias después, y la prolongación del mandato de sus Gobiernos tecnocráticos sería una respuesta consecuente. La prolongación del mandato con ellos al frente o sustituyéndolos por otros tecnócratas, por otros sabios, pero, en cualquier caso, convalidando un estado de excepción en el que podría resultar más fácil instalarse de modo permanente, al menos mientras dure la crisis, que emprender la marcha atrás, reconociendo el fracaso del sistema democrático para combatirla y abriendo la caja de Pandora de arbitrismos y populismos.

    […] Pero el peligro en estos momentos no es solo que se imponga esa fórmula como en Grecia e Italia, sino también que los Gobiernos democráticos actúen o se vean obligados a actuar como si fueran tecnocráticos. Lo harían si olvidasen que su acción debe estar inspirada, ahora más que nunca, ahora más, mucho más que en los tiempos de prosperidad, por el objetivo de arbitrar intereses sociales diferentes y legítimos, no por un saber, por una ciencia que solo obedece a sus propias leyes y que exige esfuerzos sobrehumanos y justifica todos los sacrificios.

    La política económica de cortos vuelos impuesta por la Unión Europea a los países más expuestos a la crisis del euro y la deuda soberana está obligando, en último extremo, a que los Gobiernos democráticos actúen como si fueran tecnocráticos y, en definitiva, a que en Europa se establezca, con o sin declaración expresa, un estado de excepción económica permanente. A juzgar por los resultados obtenidos hasta el momento, no parece que esa política esté conduciendo a la salida de la crisis del euro y de la deuda soberana. Más parece estar degradando las instituciones democráticas de los países más expuestos, humillando a los diversos Gobiernos nacionales salidos de las urnas y haciendo de la Unión un monstruo político que genera sufrimiento y desafección, no prosperidad y libertades. De persistir en la misma dirección, el fantasma de la tecnocracia que ha empezado a recorrer Europa podría tener efectos tan amargos, tan devastadores como los demás fantasmas que le precedieron.

     Obrigado ao Luís pela referência. Sublinhados meus.

    Camps Are Cleared, but ‘99 Percent’ Still Occupies the Lexicon

    «The New York Times (U.S.)», Brian Stelter, November 30, 2011, aqui.

    Whatever the long-term effects of the Occupy movement, protesters have succeeded in implanting “We are the 99 percent,” referring to the vast majority of Americans (and its implied opposite, “You are the one percent” referring to the tiny proportion of Americans with a vastly disproportionate share of wealth), into the cultural and political lexicon.

    First chanted and blogged about in mid-September in New York, the slogan become a national shorthand for the income disparity. Easily grasped in its simplicity and Twitter-friendly in its brevity, the slogan has practically dared listeners to pick a side.

    “We are getting nothing,” read the Tumblr blog “We Are the 99 Percent” that helped popularize the percentages, “while the other one percent is getting everything.”

    Within weeks of the first encampment in Zuccotti Park in New York, politicians seized on the phrase. Democrats in Congress began to invoke the “99 percent” to press for passage of President Obama’s jobs act — but also to pursue action on mine safety, Internet access rules and voter identification laws, among others. Republicans pushed back, accusing protesters and their supporters of class warfare; Newt Gingrich this week called the “concept of the 99 and the one” both divisive and “un-American.”

    Perhaps most important for the movement, there was a sevenfold increase in Google searches for the term “99 percent” between September and October and a spike in news stories about income inequality throughout the fall, heaping attention on the issues raised by activists.

    “The ‘99 percent,’ and the ‘one percent,’ too, are part of our vocabulary now,” said Judith Stein, a professor of history at the City University of New York.

    Soon there were income calculators (“What Percent Are You?” asked The Wall Street Journal), music playlists (an album of Woody Guthrie covers, promoted as a “soundtrack for the 99 percent”) and cheap lawn signs. And, inevitably, there were ads: a storefront near Union Square peddles “Gifts for the 99 percent.” A trailer for a Showtime television series about management consultants, “House of Lies,” describes the lead characters as “the one percent sticking it to the one percent.” A Craigslist ad for a three-bedroom apartment in Brooklyn has the come-on “Live Like the One Percent!” (in this case, in Boerum Hill).

    These days, the language of the Occupy movement is being reappropriated in new ways seemingly every day. CBS ran a radio spot last that invited viewers to “occupy your couch.” On Thanksgiving, people joked online about occupying the dinner table. Now, on Facebook, holiday revelers are inviting friends to “one percent parties.”

    Slogans have emerged from American protest movements, successful and otherwise, throughout history. The American Revolution furnished the world with “Give me liberty or give me death” and the still-popular “No taxation without representation.” The equal rights movement in the 1960s used the phrase “59 cents” to point out the income disparities between women and men. The civil rights movement embraced the song “We Shall Overcome” as a slogan. During the Vietnam War, protesters called on politicians to “Bring ’em Home” and “Stop the Draft.” More recently, supporters of Mr. Obama shouted “Yes, we can.”

    The idea behind the 99 percent catchphrase has its roots in a decade’s worth of reporting about the income gap between the richest Americans and the rest, and more directly in May in a Vanity Fair column by the liberal economist Joseph E. Stiglitz titled “Of the 1%, by the 1%, for the 1%.” The slogan that resulted in September identified both a target, the “one percent,” and a theoretical constituency, everyone else.

    Rhetorically, “it was really clever,” said David S. Meyer, a University of California, Irvine, professor who studies social movements. “Deciding whom to blame is a key task of all politics,” he wrote in his blog about the phrase.

    “It’s something that kind of puts your opponents on the defensive,” he said in an interview.

    In some cases even politicians who have been put on the defensive by the movement have resorted to the same rhetoric. When Philadelphia’s mayor, Michael A. Nutter, announced last week that the protesters there had to make way for a construction project, he emphasized that the project would be “built by the 99 percent, for the 99 percent.”

    Xeni Jardin, the editor of the influential blog Boing Boing, which has featured the protests every day since they began, praised the slogan for capturing “a mounting sense of unfairness in America” and distilling it “into something very brief.”

    But she also called it “fundamentally unfair” because within the so-called 99 percent that have slept at occupations across the country, there are many well-to-do college students but just as many, if not more, homeless individuals. “There are many shades of gray,” she said.

    But attempts to mock or subvert the slogan seem not to have stuck; as Ms. Jardin put it, “How do you make fun of numbers?” A Tumblr blog that was set up to compete with “We Are the 99 Percent,” called “We Are the 53%,” (referring to the estimated percentage of Americans who pay federal income taxes) has not been updated for two weeks.

    Ms. Stein at CUNY believes that the 99 percent rallying cry will have limited effect in the future. “I don’t think a good slogan is enough to revivify a movement or our politics,” she said.

    But Mr. Meyer said the catchphrase is a useful one in that it gives continuity and coherence to a movement that is losing some of its camps in major cities across the country. “Occupy takes its name from the occupation,” he said. “If Occupy continues without occupations, what provides continuity with those people in Zuccotti Park? The slogan.”

    The slogan was chanted again early on Wednesday morning in Los Angeles and Philadelphia as police there cleared out the Occupy campsites in each city. As they lost physical ground for their local movements, protesters told each other online, “You can’t evict an idea.”

    A version of this article appeared in print on December 1, 2011, on page A1 of the New York edition with the headline: Camps Are Cleared, but ‘99 Percent’ Still Occupies the Lexicon.

    Viver acima dos meios

    The Ressabiator, Mário Moura, post de 25/11, aqui.

    Uma das frases feitas desta crise é que “temos vivido acima dos nossos meios”, significando que nos endividámos e que agora chegou a altura de pagar a factura. É inevitável. Para isso teremos que assumir uma austeridade digna, trabalhando mais por menos.

    Mas, para muita gente, trabalhar mais por menos é o pão nosso de cada dia (ou a falta dele): estagiários a fazerem design de graça durante meses só para serem dispensados em direcção ao estágio não-remunerado seguinte.

    Já não é novidade que muitas empresas encontraram a sua rentabilidade explorando um fluxo constante de trabalho gratuito, sendo efectivamente sustentadas pelos seus trabalhadores (ou mais exactamente pelos seus pais). Exposições e eventos de arte onde os comissários, carpinteiros e arquitectos são pagos, mas o pagamento dos artistas se resume a ajudas de custo (na melhor das hipóteses).

    Devia ser óbvio que, quando se diz que não há emprego em Portugal, se está a cometer uma imprecisão: há bastante trabalho, o que não há são salários – o que leva à conclusão que também houve e há muitas empresas em Portugal que vivem acima dos seus meios, na medida em que conseguem ser concorrenciais, fazendo preços baratos e ainda por cima ter lucros, simplesmente esquecendo-se que o trabalho costuma ser pago.

    Obrigado à Rita.

    Austeridade é receita para suicídio económico, diz Nobel da Economia

    Lusa, publicado no i online, 25/11, aqui.

    O prémio Nobel da Economia em 2001 e antigo vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, afirmou na quinta-feira que as políticas de austeridade constituem uma receita para “menos crescimento e mais desemprego”.

    Stiglitz considerou que a adoção dessas políticas “corresponde a um suicídio” económico.

    “É preciso perceber-se que a austeridade por si só não vai resolver os problemas porque não vai estimular o crescimento”, afirmou Stiglitz, num encontro com jornalistas na Corunha, em Espanha, onde proferiu a conferência “Pode o capitalismo salvar-se de si mesmo?”, noticia a Efe.

    O economista sugeriu ao novo governo espanhol que vá “além da austeridade” e que proceda a uma reestruturação das despesas e da fiscalidade como medida básica para criar emprego.

    Recomendou em particular uma fiscalidade progressiva e um apoio ao investimento das empresas.

    “Temo que se centrem na austeridade, que é uma receita para um crescimento menor, para uma recessão e para mais desemprego. A austeridade é uma receita para o suicídio”, afirmou.

    Para o Nobel da Economia de 2001, “a menos que Espanha não cometa nenhum erro, acerte a cem por cento e aplique as medidas para suavizar a política de austeridade, vai levar anos e anos” a sair da crise.

    O antigo vice-presidente do Banco Mundial disse que as reformas estruturais europeias “foram desenhadas para melhorar a economia do lado da oferta e não do lado da procura”, quando o problema real é a falta de procura.

    Por isso, rejeitou as propostas a favor de mais flexibilidade laboral: “Se baixamos os salários, vai piorar a procura e a recessão”, alertou Stiglitz, defendendo que “é necessário” que a flexibilidade seja acompanhada por “compensações do lado da segurança” para os trabalhadores.

    “Em economia, há um princípio elementar a que se chama efeito multiplicador do orçamento equilibrado: se o governo sobe os impostos mas, ao mesmo tempo, gasta o dinheiro que recebe dos impostos, isto tem um efeito multiplicador sobre a economia”, explicou, apresentando a sua receita para sair da crise.

     
  • pedrolopesalmeida 17:56 on 25/11/2011 Permalink | Responder  

    Richard Wilkinson: How economic inequality harms societies 

     
  • pedrolopesalmeida 17:33 on 25/11/2011 Permalink | Responder  

    conhecimento de línguas. 

    cartoon por Manu Cornet, aqui.

     
  • pedrolopesalmeida 17:00 on 25/11/2011 Permalink | Responder  

    toque de debandada. 

    Perdemos a nossa gente nova porque estamos a ser friamente enganados por uma claque amoral, incompetente e inchada de soberba. Há qualquer coisa de infame numa política que não coincide com a justiça e com a procura do bem-estar das populações. A ilustração desta indignidade vemo-la todos os dias e atinge proporções insanas quando a juventude é assim dizimada por um Governo que a despreza ao ponto de a expulsar. “Pátria madrasta, país padrasto”, concluiu João de Barros, o das Décadas, numa frase tão lacónica como excruciante.

    “Aqui não tenho futuro!” A frase possui a amplitude de um desígnio e o ferrete de uma insuportável amargura.

    da crónica de Baptista-Bastos, aqui, no DN. Vale a pena ir ler.

     
  • pedrolopesalmeida 01:48 on 24/11/2011 Permalink | Responder  

    esta já não cola… 

    Steve Greenberg

     
  • pedrolopesalmeida 05:14 on 20/11/2011 Permalink | Responder  

    este país não é para jovens. 

    Relvas diz que emigração de jovens qualificados pode ser algo “extremamente positivo”

    O ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, considerou nesta quarta-feira, no Parlamento, que a emigração de jovens portugueses qualificados sem oferta de emprego em Portugal pode ser algo “extremamente positivo”.

    aqui.

    PCP denuncia indicações para emigrar dadas nos centros de emprego

    O deputado comunista João Oliveira questionou hoje o Ministério da Economia sobre alegadas indicações para emigrar dadas por técnicos do Instituto do Emprego e Formação Profissional a pelo menos 50 jovens no centro de emprego de Montemor-o-Novo.

    aqui.

     

    É demais para uma só semana, meus senhores. Shame on you.

     
  • pedrolopesalmeida 15:58 on 19/11/2011 Permalink | Responder  

    é como pedir aos incendiários para apagar o fogo. 

    “Um cínico, perante estes três génios [Lucas Papademos, Mario Monti e Mario Draghi], diria que a União Europeia é como os filmes policiais, onde os criminosos voltam sempre ao lugar do crime. Não vou tão longe. Prefiro Woody Allen: perante tantos génios, uma pessoa até sente saudades dos idiotas.”

    João Pereira Coutinho, Correio da Manhã, 12.11.2011

     
  • pedrolopesalmeida 14:39 on 17/11/2011 Permalink | Responder  

    não saber o que se está a dizer. 

    O Governo atrapalha-se nas palavras difíceis

    Pedro Passos Coelho pegou-se no Parlamento com um deputado do PS e, em tom peremptório, afirmou: “Nós não fazemos malabarices com as cativações!” O primeiro-ministro, nesse primeiro dia de debate sobre o Orçamento do Estado, repetiu a ideia, de forma a que o eco na abóbada do hemiciclo devolvesse em acusação, para a bancada socialista, partido que formou o anterior Governo, aquilo que terá entendido como insinuação contra o actual Executivo PSD/CDS: “Sim, senhor deputado. Nós não fazemos malabarices!”

    “Malabarice” é giro, soa bem, mas não existe no dicionário. Há “malabarismo”, “malabarista”, “malabarístico”, e, relativo ao território de Malabar, na Índia, as palavras “malabar”, “malabarense”, “malabaresco” e “malabárico”. Também existe “malabruto”, para designar um homem estúpido mas, julgo, Passos Coelho não queria ir por aí.

    Não me atrevo a procurar definições rigorosas para “cativações”, pois “cativar”, que lhe está na origem, tanto significa subjugar, prender ou encantar e hoje não estou para debates ideológicos.

    O ministro Álvaro Santos Pereira, ontem, em mais um episódio da mesma novela orçamental, esteve largos minutos a perorar sobre a “descompetividade” da economia. Entusiasmado, foi deleitando a audiência com “descompetividade” para lá e “descompetividade” para cá. Quando anunciou que em 2012 estaríamos no início do fim da crise, já toda a plateia sorria, condescendente, quase ignorando a nova piada do ministro.

    É verdade que entre os actores políticos e os comentadores de televisão, estatutariamente sábios nas matérias que analisam mas comprovadamente ignorantes em língua portuguesa, está há muito vulgarizada a oralização da suposta palavra “competividade” em vez da correcta “competitividade”. Também há quem use “precaridade” em vez de “precariedade”. E já ofereceram ao povo, além de impostos, a “desorçamentação”.

    Mas o digníssimo doutorado em Economia pela Universidade Simon Fraser, Vancôver, Canadá (canudo para o qual, suponho, o domínio do português foi irrelevante), adicionou um contributo valioso: com o prefixo “des” propõe aos eruditos um neologismo para substituir a expressão “falta de competitividade”. Com tantos cortes para impor não admira que ele pense também em diminuir as sílabas que temos para dizer.

    Claro que um grande político, um fabuloso governante, pode, em tese, sem consequências graves, tratar a gramática ao pontapé. O pior não é eles falarem mal, é eles parecerem não saber o que estão a dizer.

    Pedro Tadeu, no DN. Sublinhado meu.

     
    • OutofWorld 10:21 on 18/11/2011 Permalink | Responder

      O Passos Coelho usa normalmente uma linguagem muito comezinha do tipo, ‘como uma mão à frente outra atrás’, ‘quanto mais se cortar agora, melhor será depois’, ‘quem tudo quer tudo perde’, ‘quem dá o que tem, a mais não é obrigado’ e por aí. Vê-se perfeitamente que são reminiscências de infância lá por Trás-os-Montes e depois muito faltinha de leitura e aculturação.
      Têm que fazer uma ‘des’alavancagem de tanto disparate.

  • pedrolopesalmeida 01:19 on 16/11/2011 Permalink | Responder  

    (f)utilidade 

    Manu Cornet, in Bonkers World

     
  • pedrolopesalmeida 00:32 on 14/11/2011 Permalink | Responder  

    poesia. 

     

    Poetry [Shi], Lee Chang-Dong, Coreia do Sul, 2011.

     
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