sobre falácias e outros lugares comuns.

Não sei se ainda se usa dizê-lo ou não, mas aqui há uns anos, sempre que alguém trazia à conversa o fundamento humano de uma sociedade socialista rumo ao comunismo, era prática comum vir de algum lado o costumeiro argumento (e eu ouvi-o diversas vezes), “Mas então o senhor acha bem que se eu tiver dois carros tenha que dar um ao Estado??”.

E, não, é claro que ninguém acha bem.

Mas, ironia do destino, parece que é exactamente isso que o governo neo-liberal burguês está a colocar em marcha, com este confisco aos salários, i.e., confiscar a quem vive do seu trabalho os rendimentos sobre o trabalho.

E, suprema ironia, são os comunistas quem parece estar realmente incomodado com o facto. Hoje à noite, no noticiário da rtp i, o António Filipe comentava a nota de imprensa da Associação Sindical de Juízes (linkada acima), dizendo que não há, de facto, diferença substancial entre confiscar um carro, uma casa, ou um salário, a partir do momento em que todos constituem património ao qual o funcionário tem direito, como contrapartida pelo trabalho prestado. E é verdade.

Afinal, o lobo-mau acaba por aparecer no meio da floresta, e até diz ao capuchinho que o caminho não é este, não senhor.

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