o paradoxo do cliente emancipado.

Duas dúzias de manifestantes foram detidos por invasão de propriedade numa filial do Citibank, perto do Washington Square Park, em Nova Iorque, depois de entrarem no banco para levantar dinheiro e fechar as suas contas. O incidente ocorreu no passado dia 15 de Outubro, dia dos protestos globais denominados Occupy Together, e as imagens andam agora a circular pela internet.
De acordo com a polícia de Nova Iorque, os manifestantes recusaram-se a cumprir o pedido do gerente de banco para que saíssem das instalações e, por isso, foram detidos, apesar de todos eles serem clientes da instituição. O incidente, que foi gravado por várias testemunhas, iniciou um grande debate na web sobre a legalidade das detenções e sobre a actuação policial.

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Uma das pessoas detidas no Citibank foi o fotógrafo independente e actor Marshall Garrett que contou a história ao “Village Voice”. Contactado pelo i, desculpou-se por não poder dar mais entrevistas, a conselho dos seus advogados, visto que o processo ainda está a decorrer.
De acordo com Marshall, na referida entrevista ao “Village Voice”, o grupo de 27 manifestantes que entrou no banco foi muito ordeiro, o problema, que ninguém sabia, é que havia entre eles um polícia infiltrado que falou mais alto que todos os outros e perturbou o ambiente. “Os seguranças do banco anunciaram que iriam fechar as portas e, nesse mesmo momento, fecharam-nas e empurraram todos para trás e não nos permitiram  sair, o que é ilegal, dizendo que a polícia estava a chegar para nos prender,” explicou. Marshall passou 31 horas na prisão e a seguir – tal como todos os que ficaram dentro do banco – foi acusado por invasão da agência do banco. Para ele trata-se de uma acusação ridícula porque são clientes do Citibank que foram acusados de invasão de propriedade numa agência do Citibank. E só queriam retirar o seu dinheiro e encerrar as suas contas no banco.
O fotógrafo acredita que há uma quantidade enorme de polícias infiltrados no movimento Occupy Wall Street, facto que “torna os protestos menos seguros por que eles interferem no movimento, orientam as pessoas de maneira errada, e isso são maneiras ilegais de tentar enviá-los para a prisão”. Maeghan Linick, outra testemunha dos acontecimentos, contou a sua história ao i. Chegou ao banco no momento em que os seguranças fecharam as portas e foi ela quem gravou as imagens, a partir do exterior, e as colocou no YouTube onde, à hora do fecho desta edição, mais de 600 mil pessoas já as tinham visto. Nas imagens é visível o agente da polícia infiltrado a forçar violentamente uma jovem que está à porta do banco a entrar para ser detida com os outros.

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No mesmo dia, em Santa Cruz, na Califórnia, duas jovens entraram numa agência do Bank of America para encerrarem as suas contas bancárias mas não o puderam fazer. A gestora da sucursal mandou-as sair e não lhes permitiu sequer falar, ameaçando chamar a polícia para as deter. “Não podem ser clientes e manifestantes ao mesmo tempo”, justificou a gerente. Os agentes de polícia chamados ao local pelas manifestantes disseram-lhes que não sabiam se o comportamento do banco era legal ou não e que não podiam fazer nada antes de consultarem um advogado.

artigo do i, «EUA. “Não podem ser manifestantes e clientes” de um banco», de 24 de Outubro.

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