o que faz falta.

Se fosse escrito em português, o artigo aqui abaixo era «ideológico, demagogo, populista». Mas não, é um diagnóstico publicado ontem no The New York Times, por Steven Erlanger.

Basicamente, o que falta à Europa é aquela intervenção divina (posta em marcha por Satã, Jb, 1-6) do livro de Job, e que faz o pobre homem acordar e dar consigo na mais perfeita ruína. Até lá, acrescento eu, vamos continuar a palrar de cor o discurso da depauperação voluntária, quando, está bom de ver para quem tiver olhos na cara, nada vai mudar sem um aumento, e um aumento colossal, da despesa, justamente. Doutro modo, não se consegue senão engrossar as bolsas marginalizadas de desempregados, precários e sub-remunerados, ao mesmo tempo a que se aumenta o custo de vida e o preço dos impostos, o que, conjuntamente, além de constituir uma gravíssima irresponsabilidade política, terá, mais dia menos dia, consequências catastróficas para as sociedades europeias. É atirar areia para os olhos das pessoas dizer que com despedimentos massivos é que se vai lá. É enterrar a cabeça na areia, e correr o risco de ficar sem ela.

Por outro lado, depois de ler Steven Erlanger, não há como evitar a dolorosa recordação da primeira visita do PM à alemanha, à saída das reuniões com angela merkel, e o ar amaricado com que declarava estar em total sintonia com a chanceler, que a emissão de dívida conjunta “não é solução”, explicando aos alemães que a culpa é toda nossa, que eles não devem fazer nada, que devem continuar a comportar-se como se fosse possível ter as vantagens de estar numa moeda única sem ter as responsabilidades de estar numa moeda única, como notou o daniel oliveira: “seria de esperar que quem nos governa se comportasse como um português e não como um alemão. […] quem é este tipo que nos saiu na rifa?”.

Entretanto, o sr. silva lá vai tirando da gaveta os seus velhos sermões morigeradores para repor a moral e os bons costumes entre os histriões (ou seja, nós, que não somos sr. silva, e, portanto, vivemos todos à-grande-e-à-francesa, com os nossos bm’s, fundos de investimentos e casas de férias), como aquele de ontem, com o heróico brado pela “austeridade digna”.

Haja vergonha. Já tinha idade para perceber que dizer isso num país com o salário mínimo deste é uma afronta, sr. silva…

Many around the world are worried that Europe is about to face a Lehman Brothers moment, a big bankruptcy or sudden default that sets off a new phase of panic in Europe and beyond.

But these days the problem for Europe may be that it has not had — and may not have — its own Lehman Brothers, at least in the sense that Lehman shocked Americans to take divisive and expensive steps to repair the damage. Instead, it has seen a slow-motion leak of confidence and a steady drain on credibility that has extracted a large and growing toll on stock and bond prices and on the livelihoods of its citizens.

Nearly two years after the euro crisis began with concerns about the solvency of Greece, fears have spread to big banks and large countries like Spain and Italy and squashed the gradual recovery from the 2008 recession. But Europe still has not had the all-hands emergency response the Bush administration and the United States Federal Reserve were forced to undertake after the collapse of Lehman on Sept. 15, 2008, and it is unclear if even the intensified market turmoil now is enough to prompt one.

An uncontrolled Greek default or a run on a major European bank could still overturn expectations and compel FranceGermany and the European Central Bankto act with much greater urgency. But for now, political and financial leaders are buying time, putting out fires one by one, like propping up Dexia Bank, and making vague promises, as European officials did Wednesday, about scheduling new meetings to discuss the recapitalization of European banks.

Ultimately, only the European Central Bank can intervene with the firepower necessary to set a floor under the price of the region’s sovereign debt. But its departing chairman, Jean-Claude Trichet, has ruled out the idea of the bank’s acting as the lender of last resort, even if it only guarantees the bond purchases of another fund, the European Financial Stability Facility.

There has not yet been a sufficient sense of crisis — no Lehman Brothers moment — that overcomes longstanding European qualms about handing a full range of Fed-style powers to the region’s central bank.

And residents of richer countries in Europe are not yet unnerved enough to agree to write big checks to Europeans elsewhere whom they accuse of spending themselves into a debt crisis.

“Greece is small and its problems can easily be contained,” said Sony Kapoor, managing director of Re-Define, an economic consultancy. “But the inability of officials to deal with this successfully over a year and a half inspires little confidence in their ability to deal with much larger troubled countries such as Italy.”

“The E.C.B. can still stem the panic though a strong intervention,” he continued. “But unless this is done soon, the crisis may spin further out of control.” For now, Europeans leaders are sticking to their talking points.

Lehman Brothers provided the United States, for good or ill, a moment of reckoning. Europe is still trying desperately to avoid one.

Steven Erlanger, The New York Times, 05.10.11, sublinhados meus.

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