“Something could go back in time and witness the moment of its own creation.”

Scientists at the Opera (Oscillation Project with Emulsion-tRacking Apparatus) experiment in Gran Sasso, Italy, found that neutrinos sent through the Earth to its detectors from Cern, 450 miles (730km) away in Geneva, arrived earlier than they should have. The journey would take a beam of light around 2.4 milliseconds to complete, but after running the Opera experiment for three years and timing the arrival of 15,000 neutrinos, the scientists have calculated the particles arrived at Gran Sasso 60 billionths of a second earlier, with an error margin of plus or minus 10 billionths of a second. The speed of light in a vacuum is 299,792,458 metres per second, so the neutrinos were apparently travelling at 299,798,454 metres per second.

The Guardian

Creio que o que o CNRS anunciou esta semana ter acontecido pode muito bem tratar-se de um dos episódios mais importantes do século em que vivemos. A provar-se rigoroso, o facto de ter sido detectada uma velocidade superior à velocidade da luz na deslocação de um feixe de neutrinos (entre as instalações do CERN em Genève e o detector de partículas Opera, em Gran Sasso, Itália) irá inevitavelmente revolucionar os princípios fundamentais da Física – e a forma como encaramos a realidade. A comunidade científica reagiu com um certo choque e alguma incredulidade quando, ontem, os dados foram anunciados. Brian Cox não exagera quando afirma que se a descoberta for validada implicará “a reescrita completa da nossa visão do universo”. Como já foi avançado, a abertura desta porta poderá levar a uma revisão da teoria da causalidade, e inaugurar a possibilidade de fazer a matéria viajar no tempo, isto é, “permitir a hipótese de se poder ‘andar para trás no tempo e condicionar no futuro uma ação do passado'”, nas palavras de Gaspar Barreira, investigador português que integra o Conselho do CERN. E isto porque a partir do momento em que o limite cósmico da velocidade da luz é superado, o que quer que seja que viaja mais depressa do que ela, está a deslocar-se contra a progressão cronológica do tempo.

As partículas que terão agora viajado a uma velocidade superior à da luz teriam podido, se lhes fosse possível tanto, olhar para trás, à chegada, e verem-se a si mesmas, milisegundos antes, a percorrer a trajectória que acabavam de concluir.

Aqui fica mais uma peça bem informativa, do The Independent.

Um dos coordenadores da equipa do Opera responsável pela experiência diz que ele próprio e os colegas “ainda estão a recuperar do susto”. Acho que nos devemos preparar para o mesmo.

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