do rigor terminológico ao rigor termitológico. ainda e sempre os estudos culturais e o politicamente correcto.

José Clemente Orozco, Gods of the modern world, 1932-1934

[mural, Baker Library, Dartmouth College, New Hampshire]

Recordar a escravatura como época de glamour, colocar uma imagem afro nos antípodas da civilização ou publicitar um chocolate como substituto de Naomi Campbell. Os anúncios com interpretações racistas renovam-se e têm na revista Vogue o mais recente foco de tensões.

Grandes, redondos, coloridos e «carregados de simbolismo», promovem-se como «um clássico em constante evolução» e exibem-se numa extensa galeria de moda sob o título «brincos de escrava». Ou, para que não restem dúvidas de interpretação, brincos de «estilo crioulo» que recuperam «as tradições ornamentais de negras desembarcadas no Sul dos EUA durante o tráfico de escravos».

A leitura da escravatura como época de glamour, promovida na página online da edição italiana da revista Vogue, inaugura o mais recente capítulo de uma já assinalável colecção de protestos contra campanhas publicitárias de sentido racialmente duvidoso.

O desfecho diplomático – que a Vogue resumiu a uma troca de palavras, substituindo «brincos de escravas» por «brincos étnicos» e «tráfico de escravos» por «século XVIII» – repetiu-se noutra controversa campanha de cosmética, agora com a Dove no centro da contestação. […]

 

«Campanhas negras», aqui no Sol, sublinhados meus.

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