o kindle que se cuide.

A Google vai avançar com a digitalização de livros na Europa. Em França, já foram realizados acordos com a Hachette (que detém editoras como a Grasset, Stock, Fayard, Le Livre de Poche, Éditions Harlequin, Marabout e Larousse). Segundo o Público, “o acordo abrange milhares de obras que não estão comercialmente disponíveis mas que ainda estão abrangidas pelos direitos de autor”. As negociações salvaguardaram os autores e editores, que receberão direitos pelas obras digitalizadas, que ganham, assim, uma segunda vida. Pensando no que constitui o grosso dos fundos de catálogos das editoras com quem a Google está interessada em firmar protocolos, podemos antever a disponibilização de algumas (boas) obras literárias, de estudo, de referência, universitárias ou de divulgação cultural/científica, o que, pelo menos enquanto hipótese, é bastante promissor. Isto colocando de parte a polémica que, nos EUA, envolve o processo de digitalização de bibliotecas pela Google, e que se arrasta, ainda, nos tribunais. Uma coisa parece-me certa: entre guilhotinar os fundos de catálogo, votar ao abandono editorial e livreiro as obras para públicos minoritários, ou digitalizá-las e criar uma biblioteca online, a opção parece ser clara. Se forem respeitados os direitos de autor e editores, ainda melhor.

Com isto, a Google ebooks adquirirá, previsivelmente, uma notoriedade de que ainda não goza por cá. Um sinal positivo, se pensarmos na distância que separa a política da Google (transparência, livre-acesso e respeito pelo domínio público) do puro interesse comercial da amazon.com, actualmente líder nesta área. Com isto, não sei quanto tempo de vida restará ao kindle, mas parece-me que o iRiver Story, o primeiro leitor totalmente integrado na base de livros da Google, vai chegar com argumentos de peso. A memória expansível através de cartões SD, a maior compatibilidade de formatos de ficheiros, o E-Ink display (o mesmo utilizado pelo kindle, só que) em HD (mais 63% de pixels), além, é claro, da plena integração com o acervo do Google eboks (o que representa, para já, cerca de 3 milhões de livros gratuitos) serão atributos a ter em consideração. (Mais informações aqui). Pelo mesmíssimo preço do e-reader da amazon.

Como dizia o salmista, “O Google é meu pastor, nada me faltará”.

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