um nobel no parque.

Há quem ache que o lugar de certos professores deve ser apenas o gabinete de faculdade. Há quem ache que o professor não se deve misturar com certas causas. Há, até, quem ache que o professor deve evitar expor certas ideias, a fim de conservar algo como uma forma de “autoridade”, ou algo como uma forma de “rigor científico” ou “isenção”.

Felizmente, nem todos pensam assim. Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia e professor na Columbia University esteve, na segunda-feira, no parque Retiro de Madrid, com os Manifestantes da Puerta del Sol para expressar a sua solidariedade no Forum Social do 15-M. Quando pensamos no academicismo asfixiante do nosso ambiente universitário, é profundamente consolador lembrarmo-nos que, algures, ainda é possível ouvir uma lição de sapiência sob as árvores do parque, megafone na mão, como se estivéssemos a falar de coisas que são deste mundo.

Mas, enfim, quem é Joseph Stiglitz, quando comparado com os honoráveis académicos lusitanos?

(Informam-me agora que apenas por causa do intenso calor ele não vestiu a toga, que trazia de casa, antes de começar a falar. Também tinha levado capelo, mas alguém lhe disse que era melhor dispensá-lo)

Aqui fica um apanhado, publicado no Portugal Uncut. A Ana Sousa Dias também dedicou a sua crónica no JN ao nobel da economia que foi falar ao parque com os indignados. Dos apontamentos do seu texto, vou reter o momento em que cita Stiglitz, ao dizer

“Não se pode substituir as más ideias pela ausência de ideias, é preciso trocá-las por boas ideias.”

É mesmo.

[No youtube há mais vídeos, alguns com melhor resolução, mas este apanha desde as primeiras palavras.]

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