os trabalhos e os dias.

Hadewijch, de Bruno Dumont, é um daqueles filmes que merecem ser chamados do seu tempo: um filme contemporâneo de si mesmo, um filme do nosso tempo, até ao limite. Mais do que um ensaio sobre os extremos (quais extremos? qual centro?), é uma reflexão depurada acerca da fragilidade que preside à busca de um sentido para o excesso de sentidos dos nossos dias. Entre a glória do ascetismo e a caricatura, existe um halo breve onde se reorganiza a procura, um espaço por nomear, onde a salvação e o esquecimento se indistinguem numa golfada de ar. E vamos ficando nestas imagens, presos pelos olhos a uma luz estranha e silenciosa que se desprende dos ângulos mal aparados de uma cidade quase humana, onde vamos ficando.

Às vezes, a redenção mora ao lado.

Anúncios